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Bancária relata experiência do Brasil para sindicalistas norte-americanos

por Redação da RBA publicado , última modificação 31/05/2012 16h19

São Paulo – A diretora-executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região Rita Berlofa relatou esta semana nos Estados Unidos o processo de participação dos trabalhadores na construção e no fortalecimento da democracia brasileira. Ela representou o país durante a 25ª Convenção do Sindicato Internacional dos Trabalhadores de Serviços (SEIU), realizada em Denver.

Rita lembrou a resistência da sociedade à ditadura (1964-85) e o surgimento de líderes sindicais que marcariam presença na história brasileira – Luiz Inácio Lula da Silva, retirante nordestino que fez carreira em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, foi o centro da fala. Na reta final da ditadura, retomada a organização sindical, com participação de setores acadêmicos e da Igreja Católica, funda-se o Partido dos Trabalhadores (PT). “A fundação do PT não era suficiente para a transformação social que queríamos, começamos então a discutir a unidade dos sindicatos em uma grande central. Em 1983 criamos a CUT”, afirmou. “Que nasce com princípios de liberdade e autonomia sindical, que nasce independente de governo, estado, partido político e agrupamentos políticos. A CUT abriga todas as lutas sociais, mulheres, negros, jovens, meio ambiente. Nos organizamos vertical (sindicatos, federações e confederações) e horizontalmente objetivando a unidade dos trabalhadores, promovendo a organização inter categorias.”

O SEIU se organiza no território norte-americano, no Canadá e em Porto Rico, reunindo trabalhadores de serviços de saúde e também os funcionários de serviços em propriedades, com mais de 225 filiados. A participação da brasileira na Convenção faz parte do crescimento do intercâmbio entre os sindicatos brasileiros, notadamente a CUT, com os sindicalistas norte-americanos.

Em abril estiveram em São Paulo e no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC representantes da UAW (sindicato dos trabalhadores do setor automobilístico), da AFL-CIO (central sindical norte-americana). Esse intercâmbio sindical entre Brasil e Estados Unidos ganhou novo formato a partir de duas realidades quase opostas. Os trabalhadores norte-americanos sofrem os efeitos da recessão, do desemprego e do endividamento resultantes da crise bancária de 2008. E, no lado oposto, mesmo com a crise mundial, o crescimento econômico brasileiro, o regime de quase pleno emprego e programas contra a miséria. 

Há nos Estados Unidos relação direta entre o empobrecimento da classe média e o enfraquecimento da atuação dos sindicatos, resultado de perseguição, falta de liberdade e preconceito contra os sindicatos e sindicalistas. Em oposição, o Brasil sai de uma ditadura, para para o regime democrático, e elege governos dos trabalhadores. "É impressionante o carinho que recebi após o discurso, como a história do Brasil é forte nos países que visito", disse Rita Berlofa. "É uma pena que o debate midiático e os partidos de oposição dentro do Brasil ignorem essa realidade", completa.