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Bancários denunciam conduta de banqueiros ao Congresso

por Redação da RBA publicado 05/10/2009 19h25, última modificação 05/10/2009 19h46

No 12º dia, Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região paralisou os centros administrativos (Foto: Divulgação/Seeb-SP)

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf – CUT) encaminhou, nesta segunda-feira (5), denúncia aos deputados federais e senadores brasileiros sobre a conduta intransigente dos banqueiros durante a Campanha Nacional dos Bancários. A entidade sindical enviou carta aos parlamentares pedindo apoio à greve e pedindo que intercedam junto às instituições financeiras, "a fim de que retomem imediatamente as negociações e apresentem uma proposta decente aos trabalhadores para resolver o impasse".

Na mensagem, a Contraf acrescenta que a intransigência "revela falta de responsabilidade social dos bancos não somente com os seus trabalhadores, mas também com os clientes e a sociedade, que sofrem igualmente com a cobrança de altas taxas de juros, tarifas exorbitantes, filas intermináveis e insegurança nas agências e postos de atendimento".

“A força da greve é uma reação da categoria ao desrespeito demonstrado pelos banqueiros na mesa de negociação. Não apresentar novas propostas mesmo depois de dois dias de discussões é uma aposta no confronto e a categoria vai manter o enfrentamento e mostrar que tem dignidade", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Greve chega a presidentes

No 12º dia de paralisação, em São Paulo, além das agências bancárias da região central e da avenida Paulista, a greve atingiu as concentrações dos principais bancos, onde estão os respectivos presidentes.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região houve mobilizações nos prédios administrativos onde trabalham os presidentes dos bancos: Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, no Centro Empresarial Itaú Conceição (Ceic); Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, na Cidade de Deus, em Osasco; Fábio Barbosa, do Santander na matriz do banco Real (adquirido pelo banco espanhol), na Avenida Paulista; J. Safra no Safra da Paulista. Também ficaram fechados os prédios administrativos da Nossa Caixa, Unibanco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

“A forte mobilização dos bancários é uma demonstração de que a categoria não aceita proposta rebaixada. O fim da greve está nas mãos dos banqueiros. Basta que os donos dos bancos apresentem uma proposta que preveja aumento real de salários e PLR maior e mais justa”, disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e membro do Comando Nacional dos Bancários.

Negociação

As reuniões de negociação realizadas na quinta (1º) e sexta (2), entre o Comando Nacional e a Fenaban, terminaram sem acordo. Segundo a Contraf, os bancos insistem em reduzir a PLR dos bancários e não conceder aumento real de salário.

Em resposta à intransigência dos banqueiros, o Comando Nacional orientou os sindicatos a intensificar ainda mais o movimento a partir desta segunda. "Sem uma proposta que venha a atender as reivindicações da categoria, a mobilização vai continuar nos bancos públicos e privados de todo país", ressalta Carlos Cordeiro. 

Giro

No Sergipe, o Sindicato dos Bancários realizou na sexta (2), a 'lavagem do desrespeito' na Agência Central do Banco do Estado de Sergipe (Banese), para protestar contra o pedido de adiamento da rodada de negociação marcada para aquele dia.  "Lavar a calçada do Banese é um ato de amor e carinho com o banco, isso reflete o respeito que o Sindicato dos Bancários de Sergipe tem pela entidade", afirmou  o presidente do sindicato, José Souza.

Enquanto acontecia a lavagem da calçada do Banese, o presidente do banco, Saumínio Nascimento, chamou a direção do sindicato para deliberar sobre a pauta de negociação específica dos baneseanos.

O Sindicato dos Bancários do Ceará fechou duas unidades do Bradesco, no centro de Fortaleza. As agências Iracema e Verdes Mares tiveram o atendimento direto ao cliente paralisado por completo.

Na Grande Florianópolis, mais de 50% das agências estão fechadas. Na Caixa a adesão é de 100%, no Banco do Brasil/Besc é de 75% e no Banco do Brasil é de 85%. 

Os bancários do Piauí pararam o centro comercial de Teresina nesta segunda. A manifestação começou em frente ao Banco do Brasil passou pela Caixa Econômica Federal, Itaú, Banco do Nordeste, chegando à porta do Bradesco. De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários do Piauí, Arimatéa Passos, a escolha do Bradesco para finalizar a passeata foi justamente porque o banco é um dos que mais emperram nas negociações com o Comando Nacional dos Bancários. "Queremos reafirmar que somos trabalhadores e estamos defendendo nossos direitos e a greve é nosso instrumento de luta", pondera.

Na Região Norte do país, a Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (Aeba) condena o comportamento da instituição bancária. “Enquanto outros bancos públicos estão procurando um caminho mais sensato em busca de um acordo nesta campanha salarial, é de se lamentar que o Banco da Amazônia seja o único banco a suspender as negociações específicas com as entidades representativas de seus empregados”.

Segundo a Aeba, antes de interromper o processo de negociação, o Banco da Amazônia se resumiu a dizer que vai seguir as "cláusulas eminentemente econômicas" acordadas com a Fenaban e negou todos os novos pleitos dos empregados, sem dar maiores explicações às entidades sobre as negativas.

O comando de greve dos bancários na Paraíba realizou piquete na porta da Agência Centro do Bradesco, em João Pessoa. Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Marcos Henriques, o momento é estratégico para se forçar uma negociação com os banqueiros.  Sobre o fato de Bradesco e Itaú Unibanco  utilizarem interditos proibitórios e da pressão da Tropa de Choque da Polícia Militar da Paraíba para reprimir a greve dos bancários, Henriques enfatizou: "os bancos têm os seus instrumentos de pressão e nós temos que utilizar outras estratégias para conseguir nossas reivindicações; uma delas é cruzar os braços, mobilizar os bancários através do convencimento e fazer atos públicos que expliquem à sociedade o que está acontecendo, ou seja, que a greve dos bancários acaba quando os bancos apresentarem uma proposta que atenda às expectativas da categoria", concluiu.

Na terça-feira (6), a  Federação dos Bancários da CUT do Paraná (Fetec - CUT) realiza um novo ato em frente à Agência Centro do Bradesco em Curitiba (PR), para protestar contra as práticas antissindicais do banco. Os bancários paranaenses já haviam realizado uma manifestação contra o Bradesco na sexta (2).

Os bancários de São Paulo, Osasco e Região também vão às ruas na capital paulista, com concentração a partir das 16h30 em frente ao Complexo São João dos Banco do Brasil.

Reivindicações

Os bancários reivindicam 10% de reajuste salarial (sendo 5% de aumento real), PLR composta pelo pagamento de três salários, acrescidos de valor fixo de R$ 3.850, além da inclusão na convenção coletiva de trabalho de uma cláusula de proteção ao emprego em caso de fusão. Os bancários exigem ainda o fim do assédio moral e das metas abusivas, práticas que provocam o adoecimento dos trabalhadores.

A categoria conta com 465 mil bancários no país.

Com informações da Contraf-CUT e sindicatos de bancários

 

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