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Dos 24,6 milhões de fumantes brasileiros, 80% não quer parar, revela IBGE

Pesquisa inédita do IBGE traça perfil dos fumantes no país. Um dos dados revela que 87% dos usuários fumam regularmente, consomem entre 15 e 24 unidades por dia e o primeiro cigarro costuma ser aceso 30 minutos depois de acordar
por Redação da RBA publicado , última modificação 27/11/2009 14h50
Pesquisa inédita do IBGE traça perfil dos fumantes no país. Um dos dados revela que 87% dos usuários fumam regularmente, consomem entre 15 e 24 unidades por dia e o primeiro cigarro costuma ser aceso 30 minutos depois de acordar

Estudo indica que maioria de fumantes é de homens, tem entre 25 e 44 anos, é negra ou parda e vive em áreas rurais (Foto: Cezar Perelles/Sxc.hu)

Cerca de 24,6 milhões de brasileiros com mais de 15 anos são fumantes. A maioria é de homens, tem entre 25 e 44 anos, é negra ou parda, vive em áreas rurais, predominantemente na região Sul e não tem a intenção de largar o hábito no curto prazo. As informações são da Pesquisa Especial do Tabagismo, divulgada nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para produzir o levantamento, o órgão utilizou metodologia internacional com objetivo de auxiliar em políticas de combate ao fumo. A pesquisa foi feita com os dados do Ministério da Saúde e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad).

De acordo com o documento, os fumantes no país gastam, em média, R$ 78 por mês com o cigarro. Cerca de 87% fumam regularmente, consomem de 15 a 24 unidades por dia e o primeiro cigarro costuma ser aceso 30 minutos depois de acordar.

A maioria começou a fumar entre 17 e 19 anos. Atualmente, a faixa de 25 e 44 anos concentra 42% do percentual de fumantes e o número de homens é o dobro do de mulheres. Em 2008, eles somavam 14,8 milhões de fumantes (21,6% da população masculina) e as mulheres eram 9,8 milhões (13,1% das mulheres). Quanto à raça, predominam negros (19%) e pardos (15,3%).

De acordo com o nível de instrução, as proporções mais expressivas de fumantes estavam entre aqueles sem nenhum tipo de estudo ou com pelo menos um ano de escolarização (25,7%). Quanto à renda, 70% vivia com até um salário mínimo.

De acordo com uma das responsáveis pela pesquisa, Marcia Quintslr, o fumo está ligado a fatores sócio-econômicos e não somente culturais. “Ficou claro na pesquisa que os fumantes se apresentam em maior percentual entre aqueles com menor escolaridade e rendimentos”, destacou.

Cerca de 87% fumam regularmente, consomem entre 15 e 24 unidades por dia e o primeiro cigarro costuma ser aceso 30 minutos depois de acordar, indica estudo.

A região Sul apresentou o percentual mais elevado de fumantes, 19%. Menos pessoas fumam no Centro-Oeste (16,6%) e no Sudeste (16,7%). Dos 10,4 milhões de fumantes da Região Sudeste, a maioria (20,4%) está na área rural.

80% não pensam em deixar o cigarro

A pesquisa também identificou que a maioria das pessoas que fumam no país conhece os malefícios desse hábito, mas não tem intenção de deixar o tabaco a curto prazo.

Segundo o documento, 93% dos 24,6 milhões de fumantes brasileiros conhecem os malefícios do produto, como o câncer de pulmão, o ataque cardíaco e o derrame. No entanto, cerca de 47% não pensavam em largar o hábito na data da entrevista e 33,5% até pensavam nisso, mas não nos próximos 12 meses.

De acordo com Marcia, o fato de os fumantes  saberem dos malefícios à saúde causados pelo tabaco e mesmo assim não desejarem parar de fumar deve ser alvo de mais estudos. “Os especialista têm que se debruçar sobre isso”, avaliou.

A pesquisa também destacou que 6,7% tentaram abandonar o vício com ajuda de remédios e 15,2% com ajuda de profissionais de saúde. Do total de fumantes entrevistados, 45,6% informaram que fizeram algum tipo de tentativa.

A pesquisa também mostra que para a decisão de parar de fumar, os fumantes se motivam com campanhas antitabagistas. Os rótulos de advertência nos maços levaram 65% de fumantes a deixar o vício, um ano antes da pesquisa.

Maior exposição em casa

pesquisa IBGE sobre fumantes no país

As pessoas estão mais expostas à fumaça do cigarro em casa do que no trabalho ou em bares e restaurantes.

De acordo com o IBGE, o ambiente doméstico foi apontado por 27,9% dos entrevistados como o local com maior exposição ao fumo. Em segundo lugar ficou o ambiente de trabalho, com 24,4% e em terceiro, os bares e restaurantes - onde leis mais duras, adotadas em alguns estados, proíbem o fumo –  com 9,9%.

A pesquisa mostra também que é nos bares e restaurantes que 53% dos fumantes compram cigarros. Os supermercados, mercadinhos ou mercearia são preferidos por 21,7% e as padarias ou lanchonetes, por 14,8%.

Nesses locais, as pessoas que consomem o tabaco costumam gastar cerca de R$ 78 mensais com cigarros. No Norte e Nordeste do país, o gasto é menor (R$ 59,97 e R$ 59,14, respectivamente). Na região Sul, os fumantes investem até R$ 99, por mês no produto.

Com informações da Agência Brasil