Brasil terá vacina contra a dengue em até quatro anos, afirma Temporão

Rio de Janeiro – O governo federal está testando no Espírito Santo uma vacina contra todos os tipos de vírus da dengue e que, dentro de três ou quatro anos, […]

Rio de Janeiro – O governo federal está testando no Espírito Santo uma vacina contra todos os tipos de vírus da dengue e que, dentro de três ou quatro anos, estará sendo usada a prevenção da população contra a doença. As informações são do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista nesta segunda-feira (27).

“A vacina está sendo desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com um laboratório francês. E já estamos testando pela primeira a vacina em seres humanos. Os testes estão sendo feitos no estado do Espírito Santo e a nossa expectativa é de que, em três a quatro anos, tenhamos uma vacina segura no mercado para todos os vírus”, afirmou Temporão.

A entrevista com o ministro foi feita após visita às obras de reforma, ampliação e modernização do Hospital Federal de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Na ocasião, ele admitiu que a dengue foi um dos principais problemas enfrentados em sua gestão e que, por ser uma doença endêmica, teve anos piores e outros em que a situação esteve mais sob controle.

“Durante todos estes anos foi um problema recorrente, porque é uma doença complexa e com relação direta com acesso à água, limpeza das cidades, informação, educação, padrão de urbanização. Então, enquanto a vacina não chega, a solução é prevenir e educar a população e conscientizá-la do problema”.

Avanços na saúde

Temporão destacou a criação do programa Saúde da Família e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que atualmente beneficiam mais de 100 milhões de pessoas, e as megacampanhas contra a rubéola e a gripe suína entre as principais realizações de sua administração.

O ministro citou a Farmácia Popular, que, segundo ele, tem papel importante por  propiciar o acesso da população a medicamentos mais baratos e subsidiados, além do programa Brasil Sorridente. Essa iniciativa transformou a saúde bucal em parte das prioridades de saúde pública no país, disse o ministro.

Temporão lembrou da incorporação de três novas vacinas à rotina do Programa Nacional de Imunizações – uma delas é contra o rotavírus, umas das principais causas de diarréia grave em lactantes e crianças jovens. Além disso, o ministro ressaltou a parceria público-privada na produção de medicamentos que antes eram importados e a ampliação do mercado de genéricos, que saiu de 5% do total em 2002, para 20% nos dias de hoje.

Em seus últimos dias no cargo,o ministro também criticou a falta de investimentos do governo federal na área da saúde. Segundo Temporão, o país gasta atualmente cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil com a saúde da população – o equivalente a R$ 300 bilhões por ano.

“O problema é que apenas 40% desses gastos em saúde são públicos. Os outros 60% são recursos da iniciativa privada. Ou seja, quem financia a saúde pública no Brasil são as famílias e as empresas, pois o governo gasta pouco. É essa equação que tem que mudar. Agora de onde vão sair os recursos novos para melhorar o financiamento do sistema público é um problema que cabe ao Congresso Nacional, ao novo governo e à sociedade resolver”.

Ao falar do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada pelo Congresso Nacional, o ministro – que será substituído por Alexandre Padilha na pasta da saúde do novo governo – Temporão afirmou que o fim da CPMF retirou, em quatro anos, R$ 24 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento para o setor (o PAC da Saúde).

O ministro, no entanto, não quis se manifestar sobre a possibilidade da volta da contribuição, como chegou a ser cogitada. “A essa altura do campeonato eu já não sou nem a favor, nem contra, muito pelo contrário. Há, porém, um consenso generalizado entre os especialistas de que o sistema público de saúde precisa de mais recursos. Agora como vai ser feita essa equação de garantia de recursos adicionais, é uma outra questão”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

Edição: Rede Brasil Atual