Abril pela vida

Médicos e economistas defendem ‘lockdown’ de 21 dias no Brasil para salvar 22 mil vidas

Movimento Abril pela Vida defende que esse lockdown seria o tempo necessário para que a vacinação comece a fazer efeito significativo e reduzir mortes

Prefeitura Municipal de Araraquara
Lockdown no Brasil: em Araraquara, após um mês, houve redução de 57,5% no número de infectados e de 39% nas mortes

São Paulo – Reunindo pesquisadores, médicos, economistas e organizações que atuam na pandemia de covid-19, o movimento Abril pela Vida reivindica aos governos federal, estaduais e municipais um lockdown de 21 dias no Brasil, apoiado com auxílio emergencial, para conter a pandemia de covid-19 e salvar, pelo menos, 22 mil vidas em todo o país, apenas este mês. Os organizadores avaliam que a vacinação só começará a ter efeito sensível em maio. “Sem a adoção das medidas supracitadas, teremos pelo menos 22 mil mortes adicionais, e podemos deparar com o surgimento de novas variantes, além de acentuarmos a crise de saúde pública e falta de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI)”, defende o movimento.

O Abril pela Vida destaca que a não adoção de um lockdown no Brasil, que Brasil superou as 4 mil mortes por covid-19 por dia, pode inviabilizar de vez o atendimento à saúde e qualquer mitigação dos problemas econômicos. A inação, além de causar impactos severos sobre o nosso sistema de saúde, exigirá medidas restritivas por mais tempo, e trará impactos econômicos ainda mais severos. A redução prolongada da atividade econômica por mais de quatro meses poderá anular completamente as possibilidades de crescimento econômico previstas para 2021”, explicam. Até hoje (8), 81.566 pessoas assinaram a carta de apoio à proposta.


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Os pesquisadores, médicos e economistas defendem uma série de ações para garantir a efetividade do lockdown de 21 dias no Brasil. Entre as ações estão: toque de recolher das 20h às 6h; fechamento de bares, restaurantes e praias; medidas de redução da superlotação nos transportes coletivos e garantia de transporte de trabalhadores de serviços essenciais, funcionamento exclusivo de serviços essenciais e adoção de trabalho remoto sempre que possível; instituição de barreiras sanitárias; ocupação de hotéis limitada a 30% dos quartos; ampliação de testagem e acompanhamento. Além disso, a concessão de auxílio emergencial, para indivíduos e micro e pequenas empresas.

Estudos internacionais comprovam a eficácia da medida em 41 países, com efeito especialmente forte da redução de quaisquer aglomerações de mais de 10 pessoas; e recentemente observou-se a eficácia da medida também no Brasil. Após um mês de medidas restritivas, incluindo 10 dias de lockdown rígido como poucas vezes se viu no país, a cidade de Araraquara (SP) registrou, em 26 de março, o primeiro dia sem nenhuma morte causada por Covid-19, além de redução significativa no número de casos e da positividade dos testes”, explica o movimento Abril pela Vida. Esta semana, Araraquara registrou dois dias seguidos sem óbitos.

O grupo avalia que o lockdown de 21 dias no Brasil teria quatro resultados principais: reduzir a média móvel de mortos pela metade, o que pode significar pelo menos 22 mil vidas salvas; dispor de leitos para tratamento da covid-19 e de outras patologias; reduzir a probabilidade de surgimento de novas variantes do novo coronavírus, capazes de superar a imunidade gerada pelas vacinas já desenvolvidas, com consequências globais desastrosas; neutralização de perdas econômicas, em razão do auxílio emergencial.


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Entre os signatários da proposta estão André Lara Resende, ex-presidente do Banco Central do Brasil e do BNDES; Claudio Couto, professor de gestão pública da Fundação Getulio Vargas (FGV); Daniel Dourado, médico e advogado sanitarista, pesquisador da USP; Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Institute; Luciano Coutinho, professor de Economia da Unicamp e ex-presidente do BNDES; Miguel Nicolelis, médico, neurocientista e professor da Duke University, além de organizações como o Observatório Covid-19BR e a Academia Nacional de Medicina.


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