Coronavírus no Brasil

Explosão do número de casos favorece surgimento de novas variantes, alerta pesquisador da Fiocruz

“Quanto mais casos você tem, mais mutações, e maior a possibilidade de surgir uma variante do vírus”, alerta Felipe Naveca, que cobra medidas mais restritivas de isolamento

Divulgação/FAB
Variante P1, que responde por 80% das amostras analisadas, contribuiu para o colapso do sistema de saúde em Manaus, obrigando a transferência de pacientes para outros estados

São Paulo – De acordo com o pesquisador da Fiocruz Amazônia Felipe Naveca, é preciso adotar medidas de isolamento social mais restritivas para conter o avanço do novo coronavírus e, assim, evitar o surgimento de novas variantes. Ele alerta que a variante P1, identificada primeiramente em Manaus no final do ano passado, já responde por 80% dos casos analisados na região. Além do elevado potencial de transmissão, pacientes que já haviam sido contaminados anteriormente foram infectados por essa nova cepa.

“Isso sugere que a P1 possa estar escapando dos anticorpos. Ainda não temos certeza disso. Tem experimentos em andamento no IOC (Instituto Oswaldo Cruz). E também em Oxford, junto com o pessoal da AstraZeneca”, afirmou o pesquisador à Agência Fiocruz.

Mais transmissível, a variante P1 exige medidas mais efetivas de combate, defende o pesquisador. “Não fizemos em nenhum momento um lockdown mesmo, para valer, em nenhuma região do país. Então é isso: quanto mais casos você tem, mais mutações, e maior a possibilidade de surgir uma variante do vírus.”

Desde o início da pandemia, ele trabalha com o sequenciamento genômico do novo coronavírus. A análise genética do vírus permite rastrear a sua origem, bem como as possíveis mutações que venham a ocorrem. Em todo o Brasil, além da Fiocruz, os institutos Evandro Chagas, no Pará, e o Adolfo Lutz, em São Paulo, também fazem esse trabalho de vigilância genômica. Contudo, a principal dificuldade, segundo ele, é que os insumos utilizados nesses procedimentos são importados.

“A gente não pode atrasar demais a adoção dessas medidas, lembrando que a nossa vacinação ainda está muito no início, e quanto mais tempo demorar, mais pessoas infectadas teremos, e vai ser cada vez mais difícil contornar a situação”, acrescentou.

Vacinas

O pesquisador afirma que ainda faltam resultados suficientes para que se possa afirmar se as vacinas que estão sendo aplicadas ao redor do mundo garantem proteção contra as novas variantes que estão surgindo. “Se pensarmos que a nossa variante P1 tem pelo menos três mutações muito importantes iguais às da África do Sul, e na África do Sul houve uma queda de eficiência das vacinas, não imagino que nós vamos ver um cenário diferente. A questão é quanto vai cair a eficácia das vacinas”, alertou.

UTIs em colapso

O Brasil chegou nesta semana a 40 dias consecutivos com uma média diária de mais de mil vítimas de covid-19, e a ocupação crítica de unidades de terapia intensiva (UTIs) em 19 estados pode elevar ainda mais o número de mortes causadas pela doença nos próximos dias.

O alerta é do epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da (Fiocruz), que afirma não ter dúvidas de que o país vive o momento mais grave da pandemia até agora.

“Antes, havia tempos epidêmicos diferentes (em cada estado). Agora, a gente tem uma grande onda no país inteiro ao mesmo tempo. E quando a gente tem isso, não tem como remanejar [recursos e pacientes] de uma região para outra, ou de um estado para o outro”.

Com informações da Agência Brasil.


Leia também


Últimas notícias