IMUNIZAÇÃO

Vacina Sputnik V tem eficácia de 91%, atesta revista científica ‘The Lancet’

Resultados preliminares da fase três do imunizante russo foram elogiados por cientistas

CASA ROSADA
Sobre a segurança da Sputnik V, o Comitê de Monitoramento de Dados Independente confirmou que 94% dos efeitos colaterais foram leves

São Paulo – A vacina russa Sputnik V, desenvolvida para combater a covid-19, tem eficácia de 91,6% contra a doença, segundo os resultados preliminares publicados nesta terça-feira (2), na revista científica The Lancet. A publicação indica ainda que a eficácia contra casos moderados e graves da doença foi de 100%.

Os estudos mostram que o imunizante teve bons resultados em idosos. De acordo com uma análise prévia de 2 mil adultos com mais de 60 anos a eficácia foi de 91,8%. Ao todo, a pesquisa contou com 19.866 voluntários para completar a terceira fase de testes clínicos.

“Os resultados do ensaio mostram um forte efeito protetor consistente em todas as faixas etárias dos participantes. O resultado aqui relatado é claro e o princípio científico da vacinação está demonstrado, o que significa que outra vacina pode agora se juntar à luta para reduzir a incidência de covid-19″, diz o artigo.

A vacina Sputnik V é o quarto imunizante a ter resultados publicados em uma revista, juntando-se a Pfizer/BioNTech, Oxford/AstraZeneca e Moderna. A publicação é feita após os dados da desenvolvedora serem revisados e validados por outros cientistas.

Anticorpos e segurança

O estudo mostra que outra descoberta importante é a imunogenicidade da vacina – capacidade de uma substância provocar uma resposta imune. Os 14.964 voluntários que receberam doses da Sputnik V desenvolveram entre 1,3 e 1,5 vez mais anticorpos contra o coronavírus do que os que se recuperaram da covid-19.

Quando se trata de segurança, o Comitê de Monitoramento de Dados Independente (IDMC, na sigla em inglês) confirmou que 94% dos efeitos colaterais foram leves. “A Sputnik V é uma das únicas três vacinas no mundo com eficiência acima de 90%, mas as ultrapassa em termos de segurança, transporte fácil devido às temperaturas necessárias entre 2 °C e 8 °C de armazenamento e preço mais acessível. A Sputnik V é uma vacina para toda humanidade”, celebrou Kirill Dmitriev, diretor-geral do Fundo Russo de Investimentos Diretos.

Os técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se reuniram, no último dia 25, com representantes do laboratório União Química, que é responsável no Brasil pela vacina russa Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya. A equipe técnica do órgão brasileiro detalhou para a empresa quais informações devem ser apresentadas para dar seguimento ao pedido de anuência de condução de ensaios Fase 3 no Brasil. O início da Fase 3 da pesquisa é requisito fundamental para que o laboratório possa pleitear um pedido de uso emergencial da vacina em território nacional.


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