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Colapso no Amazonas ainda não foi resolvido, alerta defensor público

Estado confirmou 159 novas mortes e 2,2 mil casos de covid-19, nesta quinta-feira. Sistema de saúde segue em colapso, sem capacidade para atender pacientes de covid-19, e ainda com falta de insumos como o oxigênio

Marcelo Seabra / Ag.Pará
Defensor público defende que, enquanto não houver reestabelecimento do sistema de saúde, é preciso transportar os pacientes para fora do estado

São Paulo – O Amazonas segue com seu sistema de saúde em colapso e não consegue atender os pacientes de covid-19, além de sofrer com a falta de insumos hospitalares, como o oxigênio. Nesta quinta-feira (21), o estado confirmou 159 novas mortes provocadas pelo coronavírus e mais 2.202 novos casos. Ao todo, 6.757 pessoas já morreram na região amazonense.

O coordenador do Núcleo de Saúde da Defensoria Pública do Amazonas, Arlindo Gonçalves Neto, diz que foi aberta uma ação civil pública sobre caos no sistema de saúde do Amazonas, que denuncia o esgotamento de leitos, mas também o caso da falta de oxigênio. Segundo ele, apesar da grande mobilização para receber insumos hospitalares, a questão não foi resolvida.

“O problema ainda persiste, sempre precisar continuar chegando oxigênio importado, se não será outro colapso. Os profissionais da área estão pedindo socorro por conta do desabastecimento de suas unidades. Não é possível abrir mais leitos, porque o Amazonas não consegue mais cumprir a demanda de oxigênio”, alertou ele, em entrevista à Rádio Brasil Atual, nesta sexta (22).

O defensor público defende que, enquanto não houver restabelecimento do sistema de saúde, é preciso transportar os pacientes para fora do estado. Ele explica que, diante do colapso no Amazonas, a população não consegue atendimento em nenhuma unidade de saúde, hospitalar ou clínica. “A taxa de óbito em casa se elevou em 20%”, acrescenta. A situação, segundo Arlindo, é pior do que no começo da pandemia.

“De domingo para cá, os pacientes que precisam de unidades de saúde não conseguem atendimento. Os leitos de UTI e clínicos foram realocadas. Nós temos um hospital referência para politrauma que está todo voltado à covid-19. Isso tem como consequência não conseguir atender os pacientes com outros problemas, como um infarto”, lamentou.

Interior do Amazonas

Ao G1, outros defensores públicos, que atuam em municípios do interior do Amazonas, informaram pelo menos 30 mortes de pacientes com covid-19 e síndromes respiratórias, entre os dias 15 e 19 deste mês. Segundo eles, as vítimas teriam morrido por falta de oxigênio ou falta de remoção para cidades com condições de atendê-las.

Em Coari, foram sete mortes somente nesta segunda-feira (18). Manacapuru registrou 11 mortes. Em Parintins, duas pessoas morreram à espera de remoção. De acordo com Arlindo, há a preocupação de conter o vírus e não levá-lo ao interior do estado, que não conta com estrutura para atender os doentes.

“Ano passado, os defensores públicos do interior conseguiram reduzir esse contágio, ao pedir o bloqueio do transporte intermunicipal. Agora, o contágio cresceu muito na capital, com o dobro de internações comparado a 2019, e o interior já vê a curva crescendo e com suas estruturas precárias. Nenhuma das 61 cidades do interior tem leito de UTI. Então se o paciente precisar de uma hemodiálise não terá. Nós temos uma fila de 400 pacientes aguardando leitos clínicos no interior, porque estão abandonados. São pessoas morrendo nas piores condições”, denuncia.

A Defensoria do interior do Amazonas ajuizou uma ação coletiva, junto com o Ministério Público, para cobrar o plano de evacuação e também um plano de manutenção do abastecimento de oxigênio.


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