Curva em alta

País tem novo recorde com mais 1.473 mortes e supera Itália. Bolsonaro quer liberar praias

Com 614.941 casos e 34.021 óbitos pela covid-19, país se tornou terceiro no mundo em número de mortes, atrás apenas de EUA e Reino Unido

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"Se alguém entrar na Justiça, e esse parecer da Advocacia Geral da União, já sabe que o governo federal vai opinar favoravelmente àquela pessoa ir para a praia"

São Paulo – O Brasil superou a Itália em número de mortes pela covid-19 neste 4 de junho. Com 1.479 óbitos nas últimas 24 horas, o país tem seu terceiro dia seguido de recorde diário e agora só está atrás de Estados Unidos e Reino Unido em perdas de vidas pela doença. Já são 34.021 mortes desde o início da pandemia, e 614.941 casos confirmados – sendo 30.925 apenas ontem.

Enquanto a curva de mortes e contaminações pela covid-19 ainda é crescente e a pandemia ainda acelera no país, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta (4) que a Advocacia-0Geral da União (AGU) vai dar parecer favorável à liberação de praias durante o período de isolamento social e pandemia.

“Eu não posso ditar uma política para que estados e municípios ataquem melhor essa questão do vírus. Isso é de responsabilidade exclusiva de governadores e prefeitos. E tem certos governadores aí que pelo amor de Deus…, ainda correndo atrás de gente na praia. Eu acho que estava previsto sair hoje da Advocacia-Geral da União um parecer favorável a que se use a praia”, afirmou. 

“A partir de hoje, ou amanhã, quando for publicado, se alguém entrar na Justiça, já sabe que o governo federal vai opinar favoravelmente àquela pessoa ir para a praia. E o juiz de cada cidade que vai recepcionar esse mandado de segurança que vai decidir se o João pode ir para a praia ou não (…). E segundo o Supremo Tribunal Federal não compete a mim decidir essa questão”, afirmou, incentivando a desobediência a medidas de isolamento social.

No estado de São Paulo, epicentro de casos e mortes pela covid-19 no país, e na capital paulista, o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas (ambos do PSDB), começam a ceder a pressões para abrandar a quarentena. A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e o Sindicato dos Advogados de São Paulo (Sasp) protocolaram junho ação civil pública para que o Tribunal de Justiça do Estado contenha a flexibilização do isolamento.

Testes

Até o momento, 3,12 milhões de testes de laboratório (RT-PCR) foram distribuídos para laboratórios centrais. Conforme o balanço do Ministério da Saúde, desde o início da pandemia foram solicitados 752,4 mil exames. Destes, 620 mil foram requeridos para covid-19 e 132 mil para outros vírus respiratórios. Dos primeiros, 556 mil foram analisados, 32 mil estão em trânsito (amostra foi coletada mas não chegou ao laboratório) e 32 mil em análise.

Os exames operados por laboratórios privados somam 529,7 mil até o momento. Considerando esta modalidade, o total de testes chega a 1,08 milhão. Comparado com o contingente populacional, o Brasil está com uma média de 8,7 mil testes por milhão de habitantes.

A média geral é de 36,3 mil exames por semana. E a média de resultados positivos vêm se mantendo em 29%, enquanto os negativos vêm ficando em 70,5%.

Em relação ao tempo de análise, 74,1% foram processados em até cinco dias, sendo 50,2% em até dois dias e 23,9% entre três e cinco dias. Já os testes rápidos (sorológicos) tiveram 748,9 mil kits aplicados até o momento.

Manifestação 

Em Brasília, nesta quinta, movimentos de mulheres, entidades sindicais e parlamentares protestaram contra a falta de ações do governo Bolsonaro contra a covid-19. Reportagem de Camila Piacesi, no Seu Jornal, da TVT, mostrou o ato realizado pela manhã, em frente ao Palácio do Planalto. O ato começou com uma homenagem aos profissionais de saúde que morreram no combate à pandemia.  Segundo os dados mais recentes, 150 enfermeiros e mais de 100 médicos já foram vítimas da doença.

“Ele tem criado uma falsa verdade de que a doença infelizmente vai matar e que é assim mesmo. E a gente sabe que isso não é verdade. Hoje, nós estamo em 31 mil mortes e as mortes em ascendência. O governo está há mais de duas semanas sem ministro da saúde”, destacou a enfermeira Carine Rodrigues, que participou do ato. 

“Nós temos hoje o governo federal negando os recursos necessários para o enfrentamento à pandemia pelos estados e municípios”, diz a deputada federal Érika Kokay (PT-DF). Esses recursos seriam fundamentais para a aquisição de EPIs e respiradores. “A União não está fornecendo os instrumentos necessários para que estados e municípios possam fazer frente à pandemia. O descaso do governo com trabalhadores e renda também foi alvo do ato. 

Ministério

Na quarta-feira (3), foi publicado no Diário Oficial da União decreto do presidente Jair Bolsonaro com a nomeação de Eduardo Pazuello como ministro interino da Saúde. Pazuello é nomeado após 19 dias à frente do ministério, como secretário-executivo da pasta. No decreto de ontem, Pazuello foi exonerado desse cargo, para assumir a interinidade. Ele responde pelo ministério desde 15 de maio, quando Nelson Teich anunciou sua saída.

Ontem, Bolsonaro nomeou o coronel Antônio Elcio Franco Filho como secretário-executivo do Ministério da Saúde, no lugar de Pazuello. Desde o mês passado, ele já era adjunto. A portaria de nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial,


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