curva ascendente

Brasil tem mais de 5 mil mortos pelo coronavírus e supera China. ‘E daí?’, diz Bolsonaro

País teve 474 vítimas em 24 horas. Doentes são 71.889. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?”, reagiu o presidente da República

Alex Pazuello/Semcom
Enquanto governo estimula fim do isolamento, curva de contaminação e morte explode

São Paulo – O Brasil registrou o maior número de mortos em apenas um dia pelo novo coronavírus desde o início do surto. Foram 474 vítimas da covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 5.017. Os casos confirmados de doentes também tiveram ampla escalada, segundo balanço do Ministério da Saúde divulgado hoje (28). Foram contabilizados 5.385 novos doentes. Agora, são 71.886 brasileiros contaminados.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu que “temos de encarar um agravamento da situação”, com a elevação da curva de mortes pelo coronavírus. Enquanto o ministro concedia entrevista, o presidente Jair Bolsonaro, era questionado sobre os números no Palácio do Planalto: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? (…) Sou Messias, mas não faço milagre”, reagiu.

Teich, por sua vez, minimiza a falta de empenho do presidente e do governo diante da necessidade do isolamento social – cuja adesão vem caindo em várias cidades, inclusive capitais, enquanto a curvas de casos e mortes explode.

Segundo pesquisa divulgada ontem (28) pelo Datafolha, o apoio da opinião pública ao isolamento caiu de 60% no início do mês para 52%. No mesmo período, porém, caíram de 59% para 50% os que se diziam contrários à renúncia, enquanto os que defendem o afastamento do presidente foram de 37% para 46%.

Mais que a China

Com os óbitos mais recentes, o número de mortos no Brasil superou o da China. O primeiro epicentro da doença no planeta contabiliza 4.633 mortos e 81.785 casos, em quatro meses. A evolução da curva no Brasil desde o primeiro caso, em 26 de fevereiro, tem apenas dois meses – e os números atuais, em função da ausência de testes e subnotificações, pode representar uma realidade de duas semanas atrás, como já disse o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro.

Devido à baixa quantidade de testes aplicados no Brasil, o próprio Ministério da Saúde admite que a defasagem no total de infectados não contabilizados deve ser grande. A partir de pesquisas de entidades como a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade de São Paulo, os doentes podem ser até 15 vezes mais numerosos do que os dados os oficiais.

A covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, se manifesta, principalmente, como um mal respiratório. Os casos mais graves são registrados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). Um dado relevante apresentado nos últimos dias, é que o número de pessoas internadas e mortas pela Srag explodiu no país para além dos dados oficiais da covid-19. Desde 16 de março, os mortos por SRAG aumentaram 1.012% no país. Em Pernambuco, por exemplo, essa explosão, em comparação com igual período do ano anterior, foi de 6.357%.

Números e colapso

Com taxa de letalidade subindo de 6,8% ontem para 7% hoje, o grande epicentro da doença segue no Sudeste. A região contabiliza 36.068 doentes, ou 50,2% dos casos. Na sequência, com números em ampla expansão, vem o Nordeste, com 20.665 doentes, ou 28,7% dos casos. O Norte tem 8.745 infectados, ou 12,2%; o Sul tem 4.033 doentes, 5,6%; e o Centro-Oeste soma 2.375 doentes, 3,3% dos casos no país.

Alguns locais apresentam cenários caóticos. Manaus, por exemplo, já vê o seu sistema de saúde em colapso por falta de leitos e equipamentos de segurança. O sistema funerário da capital amazonense também já não consegue dar o devido tratamento à quantidade de corpos. O estado de São Paulo alertou hoje que já sente sobrecarga no sistema. A Grande São Paulo já tem 81% dos leitos de UTIs ocupados.

A recomendação e o alerta seguem sendo manter ao máximo o distanciamento social, o trabalho em casa e todos os cuidados com a higienização, especialmente das mãos.

Curva dos casos de coronavírus desde o 1º registro, em 26 de fevereiro