BALANÇO

Ministério confirma 621 casos e sete mortes por coronavírus

Contágio cresce. Seis estados apresentam casos de contaminação comunitária, de procedência desconhecida. São Paulo e Rio concentram mortes por coronavírus

Marcello Casal JrAgência Brasil
"Temos números que chamam a atenção. Os casos ainda devem aumentar e medidas de vigilância também (...) Estamos vendo ainda a ponta do iceberg", disse o ministro

São Paulo – O número de casos confirmados de infectados pela Covid-19 no Brasil chegou a 621. A doença provocada pela pandemia cresce exponencialmente. Foram confirmadas sete mortes, cinco em São Paulo e duas no Rio de Janeiro.

O Ministério da Saúde apresentou hoje (19) uma série de medidas para tentar evitar que o sistema de saúde do país entre em colapso. A orientação é para que todos que apresentarem sintomas de gripe ou resfriado entrem em isolamento completo por 14 dias. Caso seja necessário, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) devem ser o destino dessas pessoas, para que recebam atestado médico. Além do portador dos sintomas, todos os familiares e residentes do mesmo lar também receberão o atestado, mesmo sem comparecimento na UBS.

Idosos acima de 60 anos, pessoas com doenças crônicas e imunodeprimidos também devem seguir a ordem de distanciamento social.

“Temos números que chamam a atenção. Os casos ainda devem aumentar e medidas de vigilância também (…) Estamos vendo ainda a ponta do iceberg, embaixo tem muito mais casos. Isolamento domiciliar com sua família. Isolamento não é descer para a piscina nem fazer festas. Se eu amanheço com sintomas, minha esposa e meus filhos, muito provavelmente, também estão contaminados. Então, faça o isolamento”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

O verão chega ao fim neste fim de semana. Com a chegada do outono, aumentam exponencialmente os casos de gripe pelos vírus influenza A e B, e H1N1. De fato, esses vírus já se anteciparam e circulam com grande intensidade pelo país, o que piora o cenário. Como a Covid-19 tende a apresentar uma contaminação mais agressiva do que os outros vírus, antecipar as quarentenas pode ser definitivo no combate à pandemia.

“Quem puder, fique quieto. Não está na hora de ficar um do lado do outro. Descomprime. É hora de ficar distante”, disse o ministro.

Com letalidade de 1% até o momento, cerca de 15% dos contaminados precisam de internação e 80% dos casos são assintomáticos ou se manifestam como resfriados leves. “Vai ficar mais complexo com o tempo”, disse Mandetta. O ministro ainda apresentou a notícia de que os casos suspeitos param, a partir de hoje, de ser contabilizados. “Não contamos mais suspeitos. Trabalhamos com confirmados e óbitos. Se acionarmos o sistema com exagero ele cai”, completou.

Seis estados no Brasil já possuem transmissão comunitária do coronavírus, ou seja, a doença se espalha sem caracterização exata da origem do contágio. São eles: São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Em São Paulo, são 286 casos confirmados e no Rio de Janeiro, 65. São os estados com maior número de casos graves.

Protocolo de atendimento

Mandetta falou sobre a realidade da subnotificação dos casos, justificada pelo ministério pela grande população do Brasil e falta de exames. “Estamos discutindo estratégias para ampliar a coleta e processamento de casos leves usando uma parceria com a iniciativa privada. Isso está em desenvolvimento, em breve termos mais informações”, disse, ao anunciar a expectativa de 30 a 40 mil testes para as próximas semanas.

O secretário de Atenção Primária à Saúde, Enio Harzheim, divulgou a atualização dos protocolos de atendimento de casos suspeitos de coronavírus no SUS.

“Ao chegar nos postos, as pessoas devem comunicar sintomas respiratórios para que rapidamente seja disponibilizada uma máscara. Essa pessoa será levada a um local de isolamento. Até o ambiente externo pode ser utilizado por ser mais saudável. Local arejado com distanciamento de dois metros de distância de uma pessoa para a outra. Essa é a recomendação de distância social. Pessoas serão priorizadas, pessoas com doenças crônicas, acima de 60 anos, imunossuprimidos, gestantes e mulheres até 45 dias após o parto”, disse.

Harzheim completou com mais informações relativas à liberação de trabalhadores. “Desenvolvemos um método de checagem rápida. Os profissionais seguem procedimentos curtos em salas de janelas abertas e sem ar condicionado. A pessoa vai ser classificada com síndrome gripal. Em locais com transmissão comunitária, síndrome respiratória será tratada como coronavírus. O isolamento é de 14 dias. Os casos confirmados devem ser monitorados a cada dois dias. A partir de hoje, familiares de pessoas com diagnóstico de síndrome gripal, vão receber também o atestado para permanecer 14 dias em isolamento. O médico deve dar o atestado para a família para o isolamento no domicílio.”

Fronteiras

Mais cedo, o governo anunciou o fechamento de fronteiras com países vizinhos. Brasileiros continuam entrando novamente no país. Imigrantes com residência fixa também podem entrar. Pessoas em missão oficial e transportando cargas também ficam livre da restrição. Inicialmente, a medida é válida por 15 dias, podendo ser prorrogado. Infratores serão deportados e terão pedido de refúgio negado futuramente.

Todos os países fronteiriços sofrem o impacto da restrição, exceto o Uruguai, cuja decisão ainda depende de um acordo bilateral que deve sair ainda hoje. No Peru, 622 brasileiros devem voltar de Cusco em quatro voos agendados a partir de amanhã, enquanto 702 peruanos que estão no Brasil também regressam a seu país. Estão previstas operações de repatriação ainda de brasileiros no Marrocos. Turistas em Portugal, mais de 800, também devem regressar ao Brasil até domingo.