Dia de luta

Lula: ‘Soberania é assumir a responsabilidade pelo bem-estar social dos brasileiros’

No dia em que a Petrobras completa 67 anos, ex-presidente Lula lembra das conquistas da empresa. “Ela simboliza o que nós queremos defender no Brasil”

Reprodução
"Brasil só não dá certo porque os vira-latas não querem". Lula particpa do ato pela soberania nacional, contra a venda de refinarias da Petrobras e a submissão do governo Bolsonaro aos interesses do capital

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um chamado ao povo brasileiro a defender a Petrobras em sua participação, neste sábado (3), em sua participação no Ato Virtual Pela Soberania Nacional, organizado pelo Comitê de Luta Contra as Privatizações.

Lula relembrou a trajetória da Petrobras, que hoje completa 67 anos de sua fundação, e algumas das conquistas já alcançadas pela maior empresa pública do país. Destacou também a importância da empresa para a autonomia energética do país e para prover recursos que garanta os direitos básicos à população. “A Petrobras é um símbolo do que nós queremos defender no Brasil, que é a soberania nacional”, afirmou o ex-presidente no vídeo. “Soberania significa o Estado brasileiro assumir a responsabilidade pelo bem estar de 210 milhões de brasileiros, sejam eles da origem social que forem”, acrescentou.

O ex-presidente lembrou que a Petrobras tem reconhecimento mundial na prospecção de petróleo em águas profundas e hoje, com tecnologia própria, consegue extrair petróleo de uma profundidade de 7 mil metros. “Quando a gente anunciou o pré-sal, os adversários diziam que a gente não ia conseguir prospectar o petróleo porque era muito caro. E hoje o petróleo do pré-sal é colocado em terra a quase que o mesmo preço da Arábia Saudita. Não é possível que o Brasil tenha dirigentes que não gostam deste país. E quem não gosta do país, vende a alma ao diabo. E é isso que eles estão fazendo agora”, finalizou Lula.

Mais tarde, o ex-presidente postou o vídeo em suas redes sociais. Assista:

O ato

Autoridades políticas, lideranças dos movimentos sociais e sindical, além de artistas e intelectuais promovem, no aniversário de fundação da Petrobras, um dia nacional de luta em defesa do patrimônio do povo brasileiro.

Entidades como a Frente Brasil Popular, o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, a CUT e a TVT transmitem o ato em suas redes sociais (íntegra abaixo). Além de Lula, a mobilização também contou com a presença dos deputados federais Marcelo Freixo (Psol-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), da ex-presidenta Dilma Rousseff do coordenador do MTST, Guilherme Boulos, do presidente da CUT, Sérgio Nobre, além de outras lideranças sindicais e de movimentos sociais.

O impacto da agenda de privatizações do governo federal sobre o aumento do desemprego, o preço dos combustíveis e dos alimentos, além do aumento da degradação da meio ambiente e dos direitos sociais, foram os principais temas tratados pelos participantes no evento. 

O ato ocorreu dois dias depois da votação do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou o “fatiamento” da Petrobras e a venda de oito de suas 13 refinarias por parte do governo, sem aval do Congresso.

A volta da fome

A relação entre o desmonte de empresas estatais e a soberania alimentar foi tema tratado pelo representante do Movimento Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stedile. Segundo o dirigente, a alta do preço dos alimentos é exemplo explícito do impacto que as políticas privatistas do governo nas condições de vida do povo. 

“A alta dos dos produtos alimentícios que estamos vendo hoje, não é por falta de produção, e não é porque os agricultores estão ganhando mais, mas sim porque não há nenhum controle estatal sobre eles. O governo não controla o estoque e com isso as empresas fazem especulação e colocam o preço que quiserem. E o governo do capitão genocida faz isso porque está se lixando para a fome e o preço dos alimentos, porque ele é representante do interesse dos bancos e das corporações”, pontuou Stedile.

Empresas públicas como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Caixa Econômica, que também estão sob ameaça de privatização, têm influência na capacidade de produção do agricultor. Segundo Stedile, são empresas que fazem a “retaguarda de apoio aos agricultores, e mesmo na habitação popular.” 

Sanha privatista

A condição atual de importante empresa nacional, como os Correios, e a luta dos trabalhadores da estatal contra seu sucateamento foi fato lembrado  por Atnágoras Lopes, representante da CSP Conlutas. 

“Acabamos de vivenciar a heroica greve dos Correios, de 35 dias, em que foram retirados mais de 50 direitos históricos dessa categoria, tudo com isso para responder a sanha desse governo privatista. Por isso é importante lembrar desse um dia para fortalecer a unidade dos trabalhadores, para enfrentar e inclusive botar para fora esse governo”; destacou Lopes.

Liderança do Movimento Negro Unificado, Vania Vieira, enfatizou como o desmonte do estado em processo, defendido principalmente pelo ministro da economia Paulo Guedes, impacta a vida de todos os brasileiros, principalmente das mulheres negras e periféricas.

“Enquanto mulher negra que lutou a vida inteira pelos direitos das mulheres, da juventude e da população negra em geral, nós somos as que mais perdemos com a venda das riquezas e perda da soberania do país. Por isso chamamos todos a fazer parte dessa luta contra a venda das empresas nacionais”, defendeu Vieira.

Dilma

Finalizando o ato, a ex-presidenta Dilma Rousseff, denunciou as políticas neoliberais do governo Bolsonaro, alertando para o fato de que suas medidas desastrosas não são fruto somente de incompetência, mas representam um método e ação sistêmica.

“Essas políticas de privatização evidenciam que, subordinado ao liberalismo e subserviente aos interesses dos EUA, esse governo age deliberadamente para desnacionalizar nossas riquezas. Tudo isso é uma traição ao Brasil e ao nosso povo”, afirmou Rousseff.

Concluindo sua fala, ela trouxe a importância de uma mobilização nacional constante contra o governo, que tenha como foco a defesa da Petrobras. “Os defensores da privatização devem ser enfrentados e combatidos energicamente onde quer que possamos lutar contra eles, pois diante de um governo que produz tanta devastação não há outro caminho senão lutar para tirá-lo do poder. O futuro do Brasil será tão mais desastroso quanto mais impunemente se Bolsonaro continuar agindo contra a Petrobras”, concluiu.

Assista o ato virtual na íntegra:


Com Brasil de Fato

Redação RBA: Fábio M. Michel


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