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Para partidos de oposição, Brasil precisa superar insanidade de Bolsonaro

Presidentes de Psol, PT e PCdoB destacam a necessidade de barrar a irracionalidade negacionista do presidente, que demitiu Mandetta nesta quinta

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Luciana Santos, Gleisi Hoffmann e Juliano Medeiros participam de debate consduzido por Rodrigues, do MST

São Paulo – Os presidentes nacionais do Psol (Juliano Medeiros), do PT (Gleisi Hoffmann) e do PCdoB (Luciana Santos) participaram na tarde desta quinta-feira (16) do Café com o MST – Especial Quarentena Sem Terra, debate realizado por videoconferência sobre estratégias da oposição diante da pandemia de coronavírus e do governo Bolsonaro, que demitiu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no mesmo dia. O debate foi conduzido por João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Os dirigentes destacaram  a necessidade urgente de o país se livrar de Bolsonaro como presidente. “Ele é uma situação a ser superada”, resumiu Gleisi. “Talvez uma das oportunidades que essa crise nos dá seja desembarcar do neoliberalismo. Precisamos de um Estado forte. Temos que mostrar à sociedade quem é Bolsonaro, dizer o que significa, para podermos superá-lo.”

Medeiros observou que há descontentamento crescente na sociedade contra o governo e é preciso dar uma resposta a esse anseio. Segundo ele, “há varias possibilidades na mesa”, e a oposição tem de fazer pressão pela renúncia, por um processo de impeachment ou pela cassação da chapa de Bolsonaro e seu vice, general Hamilton Mourão.

Medeiros reconhece que a oposição, com cerca de 135 deputados, não tem maioria para conduzir um processo de impeachment na Câmara. Ele lembra que partidos de oposição são autores de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas quais “denunciam os crimes eleitorais” da chapa vencedora das eleições de 2018.

“É preciso barrar a insanidade, a irracionalidade de Bolsonaro”, afirmou Luciana. “A estratégia dele é dizer que é antissistema, contra o Congresso, contra decisões do Supremo, contra principalmente governadores e prefeitos na luta contra a pandemia. O criminoso presidente da República faz um contraponto entre o isolamento social e a economia”, disse a presidenta do PCdoB.

Ontem, a Câmara acatou requerimento do deputado Rogério Correia (PT-MG), para que a Secretaria-Geral da Presidência da República informe os resultados dos exames para covid-19 realizados por Bolsonaro. Correia defendeu que “o governo Bolsonaro precisa ter um fim”.

A presidenta do PT lembrou que os ataques ao Estado e ao Sistema Único de Saúde (SUS), desfechados nos últimos anos, terão efeitos negativos ao enfrentamento da pandemia. “Os recursos bloqueados pelo teto de gastos (Emenda Constitucional 95) poderiam estar indo aos estados e municípios, que estão aguentando o enfrentamento a essa calamidade sozinhos”, destacou Gleisi.

Para Medeiros, “a imensa maioria dos governadores e prefeitos,  mesmo da centro direita e da direita tradicional que seguem as orientações da OMS, tem dado tratamento muito melhor do que Bolsonaro e terão resultados muito melhores no combate à epidemia”.

“A pandemia colocou a nu a incapacidade do sistema capitalista responder a uma plataforma humanitária que cuide das pessoas”, destacou Luciana. “O que se assiste é que o rentismo não serve a nenhuma nação”, acrescentou a comunista.

A petista também comentou a precariedade técnica do Brasil no combate à tragédia sanitária que está cada vez mais perto da sociedade. Ela exemplificou com a falta de testagem, que dificulta um mapeamento sobre a situação real da pandemia, prejudicando enormemente seu enfrentamento e provocando a subnotificação. “Somos o país que menos tem testado. Não chega a 300 testes por milhão. Os Estados Unidos fazem 7 mil por milhão. A Alemanha, 15 mil.”

Mídia contra Bolsonaro

A imprensa internacional continua condenando as políticas de Bolsonaro e sua figura. Nesta quinta, o jornal britânico Financial Times voltou a citar Bolsonaro entre os “quatro homens-fortes (que) se apartam enquanto o resto do mundo toma medidas drásticas para impedir a propagação da pandemia”.

Na quarta (15), a versão brasileira da rede alemã Deutsche Welle (DW) publicou texto no qual afirma: “A extensão da irracionalidade é aterrorizante e ameaça arrastar o Brasil para o abismo. Para a sua disseminação, há um motivo: o bolsonarismo. Esse nome se deve a um homem cujo livro favorito foi escrito por um torturador”. 

No início da noite desta quinta, duas das cinco principais hashtags do Twitter no país eram #BolsonaroGenocida e #ImpeachmentDoBolsonaro.


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