Irresponsabilidade

Twitter apaga postagens de Bolsonaro por violar OMS no combate ao coronavírus

Rede social considerou que o presidente potencialmente colocou as pessoas em risco de infecção. Para Haddad, rede social acerta ao tratar presidente “como um moleque”

REPRODUÇÃO
As publicações eram de vídeos do passeio que Bolsonaro fez neste domingo, nas ruas do Distro Federal, onde cumprimentou seus eleitores e defendeu o fim isolamento social

São Paulo – A rede social Twitter considerou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou posts que potencialmente colocam em risco a vida das pessoas e apagou, na noite do domingo (29), apagou dois vídeos da conta oficial que mostravam o “passeio” de Bolsonaro pelo Distro Federal, cumprimentando comerciantes e apoiadores, além de provocar intencionalmente a aglomeração de pessoas. Nas postagens, o presidente ainda cita o uso de cloroquina como alternativa de tratamento para a doença e defende o fim isolamento social, como forma de prevenção à explosão da pandemia de coronavírus.

Com as publicações deletadas, os vídeos deram lugar à mensagem: “Este tweet não está mais disponível porque violou as regras do Twitter”.

Em nota, o Twitter explica que seu posicionamento é aplicado aos usuários do mundo todo e “expandiu suas regras para abranger conteúdos que forem eventualmente contra informações de saúde pública orientadas por fontes oficiais e possam colocar as pessoas em maior risco de transmitir Covid-19”.

A ação da rede social repercutiu entre os parlamentares. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) questionou: “Quando vamos apagar esse governo bizarro e genocida da nossa história?”. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) também criticou Bolsonaro. “Vergonhoso. Presidente do Brasil sendo tratado corretamente como um moleque”, postou.

Desinformação

Essa é a primeira vez que o Twitter apaga postagens do presidente, mas a segunda de apoiadores e até da sua própria de governo. Na semana passada, a rede social havia paralisado por 12 horas as contas do influenciador bolsonarista Allan dos Santos, do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Os três utilizaram fora de contexto um vídeo antigo do médico Drauzio Varella sobre a crise do coronavírus. A empresa tomou a medida após considerar que as postagens dos três poderiam levar as pessoas a se exporem ao risco de contaminação pelo coronavírus.