Home Política Coaf: ministro do Turismo movimentou R$ 1,96 milhão em ano eleitoral
Laranjas do PSL

Coaf: ministro do Turismo movimentou R$ 1,96 milhão em ano eleitoral

Com salário de deputado como única renda declarada, Marcelo Álvaro Antônio movimentou quase R$ 2 milhões em contas bancárias pessoais, de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019
Publicado por Redação RBA
09:51
Compartilhar:   
Reprodução/Facebook
Álvaro Antônio e Bolsonaro

Movimentação atípica é incompatível renda mensal declarada de R$ R$ 22,1 mil do então deputado

São Paulo – O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), suspeito de comandar esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais, movimentou R$ 1,96 milhão de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019, de acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Álvaro Antônio, presidente do PSL mineiro, teria realizado “operação suspeita”, com depósitos e saques em dinheiro vivo, que revelam “atipicidade em relação à atividade econômica do cliente ou incompatibilidade com a sua capacidade econômica-financeira”, e movimentação financeira “incompatível com o patrimônio, a atividade econômica, ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”, segundo trechos do relatório divulgado em reportagem do jornal Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira (17). 

O valor de R$ 1,96 milhão considera entradas e saídas – saques, depósitos, transferências, cheques e pagamentos de boletos, entre outros – em duas contas no Banco do Brasil em nome de Álvaro Antônio. Essas movimentações são consideradas atípicas e incompatíveis porque, no período, Álvaro Antônio era deputado federal, com renda mensal declarada de R$ R$ 22,1 mil, com uma única empresa em seu nome inabilitada na Receita Federal, por omissão de declaração.

Pelo suposto esquema montado pelo então deputado, as verbas públicas do fundo eleitoral e do fundo partidário para candidaturas femininas, destinadas a cumprir cota mínima de 30% de mulheres, eram desviadas para empresas fantasmas, que depois voltavam ao partido. 

Zuleide Oliveira, candidata a deputada estadual pelo PSL em Minas, acusou diretamente o ministro de comandar o esquema de desvios de verba. “Ele [Marcelo] disse pra mim assim: ‘Então a gente vai fazer o seguinte: você assina a documentação, que essa documentação é pra vir o fundo partidário pra você. (…) Para o repasse ser feito você tem que assinar essa documentação. E eu repasso a você R$ 60 mil, e você tem que repassar pra gente R$ 45 mil. Você vai ficar com R$ 15 mil para sua campanha. E o material é tudo por nossa conta, é R$ 80 mil em materiais'”, disse a candidata, em março.