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Primeiro discurso

Bolsonaro presidente promete democracia, mas ataca ‘ideologias’

Ao tomar posse, ele repetiu bordões de campanha e disse que o país ficará livre de 'amarras ideológicas'. Também prometeu 'reformas estruturantes' e disse que sua equipe foi montada de forma técnica
Publicado por Redação RBA
15:58
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Reprodução
Posse Bolsonaro

Bolsonaro pregou contra a “ideologia de gênero” e disse ter montado equipe “de forma técnica”

São Paulo – Exatamente às 15h10 desta terça-feira (1º), Jair Bolsonaro foi empossado presidente do Brasil, durante cerimônia presidida pelo presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira (MDB-CE). Ele prometeu “proteger e revigorar a democracia brasileira”, repetindo bordões de campanha, como o combate à “ideologia de gênero”, à educação como formadora de “militantes”, e prometendo um país livre de “amarras ideológicas”.

O discurso durou apenas 10 minutos, e no final Bolsonaro disse que o país será “forte, pujante, confiante e ousado”. Segundo ele, sua equipe foi montada “de forma técnica” e a economia trará “a marca da confiança”, com reformas estruturantes, menos regulamentação e burocracia. O presidente defendeu um “pacto” entre a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Em referência ao atentado sofrido em setembro, em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro iniciou sua fala agradecendo a Deus “por estar vivo”. Ele atribuiu o ataque sofrido aos “inimigos da pátria, da ordem e da liberdade”, afirmando que o episódio deflagrou um “movimento cívico” que o levou à Presidência. E disse que seu compromisso é garantir uma sociedade “sem discriminação ou divisão”.

Para o presidente empossado, as escolas devem “preparar para o trabalho” e “não militância política”. Ele também fez referência a uma maior liberdade do uso de armas, afirmando que “o cidadão de bem merece dispor de meios para se defender”. Pediu ao Congresso Nacional “respaldo jurídico” para a ação policial.

Ao lado de sua mulher, Michelle, o presidente deixou a Granja do Torto, residência oficial da Presidência, às 14h30, em carro blindado. O público foi mantido à distância – em alguns trechos, havia tapumes. Ele parou diante da Catedral às 14h43, fez uma breve saudação e encaminhou ao Rolls-Royce usado desde os anos 1950 para posse de presidentes. Até o último instante, não se sabia se ele usaria ou não o veículo, alegando questões de segurança.

Escoltado à frente por batedores de motocicleta e atrás pelo Dragões da Independência, Bolsonaro fez o trajeto de pouco mais de um quilômetro até o Congresso, onde foi recebido, na rampa, por Eunício e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A sessão solene foi aberta às 15h02, tendo à mesa o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e a procuradora-geral da República Raquel Dodge.

Entre os presentes à cerimônia, estavam chefes de Estado como o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Bolívia, Evo Morales. Também compareceram dois ex-presidentes da República: Fernando Collor e José Sarney. As bancadas parlamentares do PT, Psol e PCdoB se ausentaram.

No Palácio do Planalto, o presidente receberá a faixa de Michel Temer. Em seguida, discursa no Parlatório, que fica diante do palácio. No final da tarde, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República afirmou que o público foi estimado em 115 mil, bem abaixo dos até 500 mil previstos.