Contradições

‘Cristo ensinou a amar-nos e não a armar-nos mutuamente’, diz bispo

Dom Reginaldo Andrietta, bispo de Jales, aponta contradição entre prática cristã e o discurso do candidato Bolsonaro, que incentiva o uso de armas

Divulgação/Reprodução
Dom Reginaldo

Para Dom Reginaldo Andrietta, linguagens e gestos violentos não correspondem aos preceitos da fé cristã

São Paulo – Na análise de Dom Reginaldo Andrietta, bispo da Diocese de Jales (SP), a atual disputa eleitoral tem revelado um clima fortemente emocional que sugere a perda de objetividade por parte das pessoas, ajudando a explicar a atual onda violência que temimpedido a paz social e a defesa de causas comuns. 

Em entrevista ao jornalista Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual, nessa segunda-feira (15), Dom Reginaldo criticou esta divisão que, para ele, é resultado da manipulação de propagandas que falseiam a ideia de patriotismo e levam as pessoas a defenderem o autoritarismo “em nome de religiões cristãs”. “Se um católico utiliza-se de linguagem ou de gestos violentos como um determinado candidato está fazendo, na verdade, isso não corresponde à ética e à espiritualidade cristã”, afirma o bispo, em referência aos discursos do candidato a presidente da República Jair Bolsonaro (PSL).

Para o religioso, a sociedade brasileira, que já é marcada pelo excesso de violência, ao compactuar com um aparato repressor militarista, pode ignorar toda a mensagem de redenção da prática cristã.

“Ele sofreu a condenação injusta, a morte injusta, mas cremos na vitória do amor na sua plenitude, que é Deus manifestado em Jesus Cristo”, disse. “Se hoje acontecesse do mesmo jeito, será que não seríamos cúmplices também da condenação de Jesus Cristo, como tantos estão equivocadamente fazendo? Optaríamos por ser soldados ou aliados deles, escolheríamos o militarismo do Império romano ou Cristo ressuscitado vencedor em relação ao sistema que o condenou e o matou?, questionou. “É bom lembrar que Cristo nos ensinou a ‘amar-nos mutuamente’ e não a ‘armar-nos mutuamente’.”

Ouça a entrevista completa: