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Manuela visita grevistas de fome e volta a defender união da esquerda

Para a candidata do PCdoB, que pode ser lançada a vice de Lula nas próximas horas, está claro que as ruas e os movimentos sociais já perceberam que é preciso promover a união para vencer as eleições
Publicado por Redação RBA
Política
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Manuela com os grevistas: “A batalha é longa e o povo brasileiro precisa que a gente vença essas eleições”

São Paulo – A candidata à presidência da República pelo PCdoB, Manuel d’Ávila, também cotada para vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizou hoje (3) visita de solidariedade aos seis grevistas de fome que estão há quatro dias sem se alimentar, em defesa da liberdade do ex-presidente, preso desde 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba. Instalados em uma sala do Centro Cultural Brasília (CCB), os grevistas receberam a candidata e debateram os problemas do país – em especial sobre o assunto que tem pautado as rodas de conversa nos últimos dias: a possibilidade da unidade dos partidos do campo de esquerda já no primeiro turno da eleição.

“Sabem o esforço que meu partido tem feito para viabilizar a unidade, fazer a discussão com todas as siglas do nosso campo”, destacou Manuela, que ontem já havia declarado que ficaria feliz em abrir mão de sua candidatura se fosse em nome da unidade. Para a candidata está claro que as ruas e os movimentos sociais já perceberam que é preciso promover a união para agregar forças e vencer as eleições. “Temos a obrigação com nosso povo de fazer todo esforço necessário para viabilizar essa possibilidade”, afirmou. Segundo ela, a confirmação ou não de um projeto comum em torno de uma candidatura conjunta deve estar confirmado ou descartado em até no máximo 48 horas. “A batalha é longa e o povo brasileiro precisa que a gente vença essas eleições para devolver a esperança de dias melhores, de mais justiça, de respeito efetivo à Constituição e de garantias democráticas”, acrescentou.

Para o grevista Frei Sérgio Görgen, os partidos precisam olhar para o povo e respeitar a unidade que se construiu a partir das bases: “O povo é sempre muito sábio e as estruturas partidárias têm muito a aprender com ele, não podem se desvincular, precisam compreender que essa unidade a partir do povo pode ser o sinal de um novo fazer político”.

Sobre o ato extremo protagonizado pelos militantes sociais do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Central dos Movimentos Populares (CMP), a presidenciável reafirmou o respeito e destacou a importância que mais vozes se ergam em contrariedade ao cenário de ataques constantes que os trabalhadores e trabalhadoras vem enfrentando desde o golpe, culminando com o ataque à própria Constituição executado através do Poder Judiciário: “A gente está nessa luta juntos, neste momento de tanta gravidade, com consequências tão velozes que desencadeiam na destruição do país”.

Para Manuela o cenário atual é muito pior do que o ocorrido durante o governo FHC e até mesmo diante do comparativo com os tempos de ditadura militar: “A situação é tão grave que a gente não dá nem conta de denunciar de tanto que eles destroem e tão rápido que agem, levando o desemprego a nível estratosférico, e para enfrentar isso a luta dos movimentos sociais é imprescindível”, concluiu.

Sem alimentos há quatro dias

Nesta sexta-feira, os seis militantes que estão em greve de fome completam quatro dias sem consumir nenhum tipo de alimento, apenas água e soro. A cada dia que passa, o cuidado para com a saúde de Luiz Gonzaga (Gegê), Zonália Santos Rafaela Alves, Vilmar Pacífico, Frei Sérgio Görgen e Jaime Amorim precisa ser mais rigoroso, pois além das dores de cabeça, ansiedade, insônia, desidratação e a fadiga, a perda de peso foi diagnosticada.

“Nesse quarto dia greve, os seis participantes apresentam quadros de maior fadiga, dores de cabeça mais frequentes, alteração na pressão arterial; estamos monitorando isso, todos perderam peso, entre 900 g e 1,3 kg, alguns perderam massa das reservas de gordura e quem tem pouca reserva, pode começar a perder parte da massa muscular, e isso vamos acompanhar mais de perto”, explica o médico que acompanha a greve, Ronald Wollf.

Um dos grevistas apresentou poliúria, que é o aumento da frequência urinária. Isso significa a falta de sais minerais de reidratação oral, fator que a equipe médica tem monitorado e, caso as alterações permaneçam, serão feitos exames laboratoriais mais complexos para ver se não há alterações renais, avalia o médico.