Xenofobia

Entidade repudia ataques contra venezuelanos em Roraima

Violência contra imigrantes foi registrada neste sábado (18). Segundo o Exército brasileiro, 1,2 mil venezuelanos deixaram o país. Anistia Internacional cobra ações das autoridades brasileiras

Graziele Bezerra EBC/Reprodução
Ataques contra venezuelanos

Diretora da ONG Anistia Internacional ressalta obrigação do governo em conceder recursos ao atendimentos dos venezuelanos

São Paulo – A diretora da ONG Anistia Internacional para a Região das Américas, Erika Guevara Rosas, ressaltou nesta segunda-feira (20) a obrigação que os governos têm de apoio com recursos às comunidades que recebem os refugiados venezuelanos. A afirmação tem como base os episódios ocorridos neste sábado (18), na cidade de Pacaraima, em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, quando moradores expulsaram venezuelanos do município.

Segundo o Exército brasileiro, o medo da violência fez com que 1,2 mil imigrantes venezuelanos deixassem o Brasil país após os ataques, que começaram com um protesto contra a presença de cidadãos do país vizinho – motivado por uma denúncia de um assalto contra um comerciante local – e terminaram com a incineração de pertences dos refugiados, ataque com bombas de gás improvisadas e atos de vandalização e queima de pertences.

Por meio de um comunicado oficial, o governo da Venezuela lamentou a situação de violência que considera ser alimentada por “opiniões xenófobas multiplicada pelo governo e pela mídia”, e pediu às autoridades brasileiras que velem pela integridade e segurança dos imigrantes, em respeito também aos direitos humanos.

Em nota, o governo federal brasileiro descreveu, entre as ações que pretende tomar a partir da ocorrência, a sugestão de reforçar a presença da Força Nacional em Roraima com mais 120 soldados. O governo do estado ainda não decidiu sobre o tema.

Apesar de o Brasil ser signatário de acordos internacionais que estabelecem o acolhimento humanitário de refugiados, a recepção aos venezuelanos que atravessam a fronteira vem há meses sendo acompanhada por episódios de violência. Em março, moradores do município de Mucajaí, também em Roraima, expulsaram os refugiados de um abrigo e atearam fogo em seus materiais.

Em sua conta na rede social Twitter, a presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), atribui às mudanças das políticas externas do Brasil após o golpe de 2016, para o agravamento das relações entre os refugiados, venezuelanos inclusive, e os brasileiros. “Temer e o Itamaraty, do PSDB, adotaram atitude agressiva e desrespeitosa com a Venezuela, que nada contribui para solucionar os problemas. Abriram mão de atuar diplomaticamente, com independência, e mostraram-se incapazes de lidar com uma crise humanitária na nossa região.” 

O candidato à Presidência da República pelo Psol, Guilherme Boulos, em sua rede social, condenou os ataques e pediu respeito aos imigrantes. “Não podemos tolerar atos movidos pelo ódio e pela xenofobia.” 

Com informações da Agência Brasil 

 

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