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Para professores, Richa mantém truculência e se fecha ao diálogo

Governador afirmou que a grave é política e não pediu desculpa aos docentes pelo ato da PM na semana passada

Divulgação / Agência Paraná
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Segundo a APP Sindicato, número verdadeiro de feridos na quarta-feira (29), foi de 400 manifestantes

São Paulo – Hoje (5), em entrevista para a Rádio Brasil Atual, o secretário de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná, Luís Fernando Rodrigues, falou sobre a situação dos professores que estão em greve no Estado. Segundo ele, o sentimento dos professores é de indignação e humilhação. “Nunca os educadores e trabalhadores do Paraná foram tratados com tamanha atrocidade por um governo, nem na época da ditadura. É o pior episódio presenciado em Curitiba.”

Na tarde de hoje, haverá uma manifestação para repudiar a violência praticada na semana passada, com a expectativa de 15 mil pessoas para participar do ato. Também está confirmada, uma assembleia para decidir se a greve continua.

“Ontem, fizemos um amplo debate, com dirigentes das regionais, e há uma divisão muito grande, com pessoas indignadas e dispostas a lutar e outras que querem voltar, para poder contar aos seus alunos o que aconteceu aqui”, afirmou.

Luís Fernando diz que o governador, Beto Richa, não dialogou com o movimento ainda, pelo contrário, foi à mídia criminalizar os trabalhadores, com acusações de que os manifestantes eram blackblocs, e que a greve é política. “Ontem o secretário de segurança pública, Fernando Francischini, novamente veio com as mesmas acusações, e colocou a culpa no comandante da polícia militar, que foi exonerado ontem. Então, eles não assumem suas responsabilidades, eles a terceirizam. Em nenhum momento, houve um pedido de desculpas pelo o que aconteceu”.

O secretário afirma que após visitas em hospitais da região, os números divulgados sobre os feridos estavam errados. “O governo do Estado sai à frente divulgando cerca de trinta pessoas. O Samu confirmou mais de 230 pessoas só na prefeitura de Curitiba, que virou um hospital de campanha. Nós demos uma rodada nos principais hospitais da cidade, várias pessoas foram direto a eles, então chegamos ao número de, aproximadamente, 400 feridos no confronto.”

Segundo Rodrigues, a maioria dos feridos não possuem ferimentos gravíssimos, são de escoriações oriundas das balas de borracha e bombas de efeito moral. Entretanto, há dois docentes que correm o risco de perder a visão, e um estudante que está ameaçado de prejudicar 50% de sua audição, por conta das bombas.

Ao ser questionado se o medo pode acabar com a greve, ele afirma que isso só motiva mais os grevistas e comunidade que os apoia. “Não há medo, só o sentimento de indignação e a vontade de vir pra rua, não só da categoria, mas de toda a população. Na quinta houve manifestações espontâneas da população. Na sexta-feira, mais dez mil pessoas saíram às ruas e não eram só trabalhadores de educação”.

Ouça a entrevista completa para a Rádio Brasil Atual

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