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Reocupação em Iaras fez a terra tremer, diz MST

Entidade consegue audiência pública para debater a invasão de terras da União por empresas privadas e prepara novas ações para pressionar por reforma agrária
por Fabio M Michel, da RBA publicado 26/08/2011 19h42, última modificação 26/08/2011 19h44
Entidade consegue audiência pública para debater a invasão de terras da União por empresas privadas e prepara novas ações para pressionar por reforma agrária

São Paulo - O Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) avalia como positiva a série de atividades realizadas durante a semana na região de Bauru, interior de São Paulo, parte da Jornada Necional de Lutas dos trabalhadores do campo, em 22 estados da federação.

Uma manifestação tomou parte do centro de Bauru no fim da tarde desta sexta-feira (26), realizado em seguida à audiência pública na Câmara dos Vereadores da cidade, que discutiu a grilagem de terras públicas por empresas da agroindústria. O objetivo é levar para dentro do governo federal o debate sobre a destinação destas áreas para fins de reforma agrária.

Antes, durante toda a semana, cerca de 400 trabalhadores rurais ligados ao MST participaram da reocupação de uma fazenda, no município vizinho de Iaras, implantada em terras da União pela empresa Cutrale.

“Nosso balanço (da semana de atividades) é muito positivo. Dois anos atrás, nós tentamos entrar em Bauru e não conseguimos, fomos impedidos pela polícia e hoje, entramos em marcha, participamos da audiência e realizamos um ato público de encerramento. Claro que temos pendências a serem resolvidas, mas também temos muitas vitórias importantes”, disse Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST.

Para a coordenação da entidade, a reocupação da fazenda invadida ilegalmente pela processadora de cítricos Cutrale foi determinante para o sucesso da mobilização desta semana. "Em 2009, o radicalismo da ocupação daquela área, que foi criminalizada pela imprensa, mas que serviu para alertarmos para o problema da grilagem de terras públicas pela iniciativa privada, deu legitimidade à reocupação de agora", avalia Ricardo Barbosa, integrante do MST na região.

Gilmar Mauro concorda. "Essa ação da Cutrale teve uma repercussão bastante grande, estremeceram as terras públicas na região, não tenho nenhuma dúvida disso."

Segundo Mauro, na audiência da tarde, o vice-presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) assumiu o compromisso de fazer todo o esforço para que as terras públicas da união sejam arrecadadas por meio de ações judiciais. Ainda segundo o ativista, só em Iaras são 60 mil hectares de terras devolutas e no Pontal do Paranapanema, cerca de 1 milhão de hectares são de áreas da União. Há ainda várias concentrações de terras públicas reivindicadas pelo movimento.

"A ideia é que ainda esse ano nós façamos uma grande mobilização para pautar o tema das terras públicas devolutas no estado de São Paulo, com grandes possibilidades para arrecadar-se muitas terras no estado para realizar assentamentos", anunciou.

Ainda na audiência, o representante do Incra anunciou a liberação, pela presidenta Dilma, de R$ 400 milhões para o Incra adquirir terras que serão destinadas para a reforma agrária, além do descontingenciamento de recursos para a educação na área rural.

Colaborou Leandro Melito, da Rádio Brasil Atual