Invasão e violência

PMs ameaçam e agridem alunos de escola da zona oeste de São Paulo

Deputada estadual Beth Sahão, presidenta da comissão, afirma que encaminhará denúncia contra a polícia de Doria

Reprodução/Youtube
Conselho Tutelar do Rio Pequeno e Condepe também apresentaram denúncias contra atuação da PM. "Abuso de autoridade", cita conselheiro

São Paulo – Pelo menos cinco policiais militares foram filmados nesta terça (18) agredindo dois alunos dentro da escola estadual Emygdio de Barros, no Butantã, zona oeste da capital paulista. Em um dos vídeos que circulam nas redes sociais, um jovem aparece dominado por um soldado que lhe aplica o golpe chamado “gravata”, enquanto outro estudante, já imobilizado, é vítima de uma rasteira. Caído no chão, o jovem continua sendo agredido.

Aos gritos, os demais estudantes pedem para que os soldados parem as agressões . As imagens ainda mostram um grupo de rapazes tentando se aproximar da cena quando, imediatamente, um policial saca sua arma e aponta para os adolescentes.

De acordo com reportagem do portal UOL, que teve acesso ao Boletim de Ocorrência (BO), a PM foi chamada pela diretora da instituição, para que retirasse da escola um dos jovens agredidos, de 18 anos. Ele teria questionado a diretora quanto à ausência de seu nome na lista de matriculados para este ano. A dirigente teria informado que ele fora reprovado por falta e ordenado que ele deixasse a instituição, o que o rapaz recusou-se a obedecer. 

O estudante, no entanto, conta que o inspetor da escola já havia confirmado sua matrícula e que teria sido prejudicado pela mudança do período de aula, da manhã para a noite, que, por trabalhar até as 20h, teria perdido duas semanas de aulas. Ao UOL, o jovem ainda contou ter sido agredido fora da escola pelos policiais militares. Nas imagens, ele aparece com ferimentos na boca, na perna direita e na testa.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, nesta quarta-feira (19), a deputada estadual Beth Sahão (PT-SP) garantiu que as cenas de agressão cometidas por policiais militares a estudantes dentro de uma escola, em São Paulo, serão denunciadas na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. “Vamos ver imediatamente quais são as providências que nós podemos tomar”, afirma a deputada, que preside a comissão.

Um outro vídeo revela que os dois jovens agredidos foram levados algemados pelos policiais militares, que registraram o caso como desacato, lesão corporal, resistência e ameaça. 

O outro rapaz, de 17 anos, afirma ter sido agredido no momento em que começou a filmar a conduta dos PMs. A reportagem destaca que no B.O., os dois confirmaram que foram ameaçados de morte e agredidos mesmo depois de algemados. 

“Infelizmente, setores da polícia militar não têm qualquer preparo, o único preparo que eles têm é a utilização da violência e a utilização dessa violência é de forma covarde”, criticou Beth Sahão à jornalista Marilu Cabañas. “O governador João Doria sempre estimulou práticas como essa. A ordem sempre vem de cima, alguém manda bater, alguém manda matar”, acrescenta. 

Ao portal G1, o Conselho Tutelar do Rio Pequeno disse também apurar o caso, que considerou “gravíssimo”. O órgão disse que encaminhará uma denúncia ao Ministério Público e à Defensoria Pública por “situação de abuso de autoridade tanto por parte da escola como da Polícia Militar”. 

A deputada estadual também contesta a atuação da instituição. “Queria ver se ela (PM) entraria dessa forma violenta em uma escola particular. Primeiro que não seria nem permitido entrar, polícia não tem que entrar dentro de escola, escola é restrita à educação, quem entra dentro da escola são professores, alunos, funcionários e pais”, ressalta. 

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) também denunciou a conduta dos policiais, que chamou de “mais uma ação desastrosa da PM permeada por muita violência e abuso de autoridade”. À imprensa, a corporação disse que os agentes envolvidos foram afastados e que um inquérito foi instaurado para apurar as agressões. 

Assista a invasão à escola e a agressão contra os alunos cometidos pela PM:

Ouça a entrevista da Rádio Brasil Atual