Solidariedade

Super-ricos precisam ajudar na reconstrução do RS, diz campanha

Mudanças climáticas afetam cada vez mais e exigem novas posturas que devemos fazer com a colaboração de todos, principalmente dos mais ricos, num país campeão de desigualdade

Gustavo Mansur/GOVRS
Gustavo Mansur/GOVRS
Rede de solidariedade comove o país em meio à tragédia no RS

São Paulo – A Campanha Tributar os Super-Ricos destaca nesta semana as enchentes no Rio Grande do Sul que comovem o país. Até o momento, a tragédia já resultou em ao menos 116 mortes, e outras 146 pessoas desaparecidas. Além disso, mais de 400 mil famílias estão desabrigadas. E o estado ainda pode sofrer com mais chuvas neste fim de semana.

O drama dos gaúchos só não é maior por conta do espírito de união que a tragédia vem despertando em todos os brasileiros. Poder público e sociedade civil estão trabalhando de forma coordenada para cuidar das vítimas das enchentes.

Foi assim, por exemplo, na iniciativa que levou ao estado 220 purificadores de água que já estão servindo para abastecer os abrigos. Os equipamentos doados pelo influenciador Felipe Neto fazem parte das 25 toneladas de doações que a FAB desembarcou nesta semana, em um esforço coordenado pela primeira-dama Janja Lula da Silva, em articulação com empresários.

Do mesmo modo, ONGs, militares e bombeiros de São Paulo também atuaram em conjunto para salvar o cavalo Caramelo que ficou dias ilhado em um pequeno telhado em Canoas (RS).

Solidariedade

Ao mesmo tempo, os Correios já arrecadaram quase 3 mil toneladas de donativos para a população gaúcha. O transporte é feito pela estatal de maneira gratuita, sem custo para quem faz a doação. De forma a aproveitar melhor a rede logística, os Correios pedem que a população do Sudeste e do Sul concentre doações de água potável e as pessoas das demais regiões, de itens secos, como ração para pets, material de limpeza seco, material de higiene pessoal e alimentos da cesta básica.

Enquanto isso, o governo federal anunciou ontem R$ 50,9 bilhões para auxiliar no socorro e na reconstrução do estado. O pacote inclui a antecipação de pagamentos do Bolsa Família, auxílio gás e da restituição do Imposto de Renda. E também crédito subsidiado às empresas e produtores rurais, além de verbas emergenciais aos municípios.

Soma-se a isso milhares de voluntários que ainda participam das operações de salvamento, auxiliando no deslocamento das famílias e na manutenção dos abrigos.

Colaboração de todos

Nesse sentido, as mais de 70 organizações sociais, entidades e sindicatos que compõem a Campanha Tributar os Super-Ricos enaltecem a onda de solidariedade para com os afetados pelas chuvas no Rio Grande do Sul. “Ainda estamos em meio a tantas perdas e haverá muito, muito o que fazer, reparar, reconstruir, prevenir. As mudanças climáticas afetam toda a parte… cada vez mais…. É um novo tempo e exige novas posturas que devemos fazer com a colaboração de todos!”. E destacam que principalmente os super-ricos devem apoiar as ações humanitárias neste momento.

Isso porque o Brasil é o país mais desigual do mundo, com quase metade da riqueza do país (48,4%) concentrada nas mãos de apenas 1% da população. O país tem 69 brasileiros na lista de bilionários da revista Forbes, incluindo a bilionária mais jovem do mundo, uma das herdeiras dos donos de uma grande empresa do setor elétrico.

Como forma de combater a desigualdade, a Campanha defende medidas que ampliem a justiça fiscal e tributária no país, fazendo com que os super-ricos paguem mais proporcionalmente, acabando com privilégios. O intuito é aliviar o peso dos impostos para os mais pobres, bem como ampliar a oferta de serviços públicos. Em tempos de crise climática, o aumento da arrecadação sobre os super-ricos também pode servir para financiar políticas de prevenção e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.



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