Conselho Nacional de Educação

Maioria de conselheiros indicados por Temer está ligada ao setor privado

Presidente interino reconsiderou quatro dos 11 nomes indicados por Dilma Rousseff que ele havia vetado, mas ficaram de fora do colegiado nomes ligados a sindicatos de professores e entidades

Rafael Carvalho/MEC
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Temer e Mendonça Filho, na CNI: governo convocou empresariado pela qualidade da educação

São Paulo – O ministro da Educação, Mendonça Filho, deu posse hoje (11) a 12 integrantes do Conselho Nacional de Educação (CNE). Dos seis nomes indicados pelo presidente interino Michel Temer (PMDB), quatro estão ligados à iniciativa privada. Nilma Santos Fontanive é coordenadora do Centro de Avaliação da Fundação Cesgranrio, do setor de concursos, avaliações e vestibulares; Suely Melo de Castro Menezes é diretora-geral do Colégio e das Faculdades Integradas Ipiranga, com sede em Belém; Antônio Araújo Freitas Júnior é pró-reitor de ensino, pesquisa e pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro; e Antonio Carbonari Netto é vice-presidente de Desenvolvimento e Expansão da Ser Educacional, maior empresa de educação do Nordeste e Norte.

Outros indicados por Temer empossados hoje são o professor José Francisco Soares, que presidiu o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, ligado ao MEC, de fevereiro de 2014 ao final de fevereiro passado, quando pediu demissão ao então ministro Aloizio Mercadante. Assim como Nilma Fontanive, Soares é membro do conselho de governança da organização Todos pela Educação, presidida pelo empresário do setor siderúrgio Jorge Gerdau Johannpeter.

O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Francisco de Sá Barreto é outro nome indicado pelo peemedebista.

Na sexta-feira (8), Temer e Mendonça Filho “convocaram o empresariado a se unir ao governo na luta pela qualidade da educação”, em reunião do comitê de líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

Os indicados pela presidenta afastada Dilma Rousseff empossados hoje são o secretário estadual da Educação de Santa Catarina e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps; o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Aléssio Costa Lima, gestor em Tabuleiro do Norte (CE); o professor de origem indígena Gersem Luciano Baniwa, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas; o sociólogo e ex-presidente do Inep Luiz Roberto Curi; e o professor e fundador dos Institutos Paraibanos de Educação (IPE) José Loureiro Lopes.

O órgão tem a função de formular e avaliar a política nacional de educação. Ao discursar na posse, Mendonça Filho citou como prioridade para a educação no país a política de formação de professores, a redução do analfabetismo, a reforma do ensino médio e a ampliação do número de escolas em tempo integral.

Dilma havia indicado outros nomes que Temer vetou: a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel; a ex-diretora da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) Maria Lúcia Cavalli Neder; o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Ibañes Ruiz; e Luiz Fernandes Dourado, que dirigiu, entre outras entidades, a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).

No entanto, o interino manteve a recondução de Rafael Ramacciotti, representante das Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do sistema “S”, que constava da lista de indicações de Dilma que ele havia vetado.