Soberania

Nova conselheira, Rosângela Buzanelli defende Petrobras integrada

“Minha candidatura é resultado do coletivo”, diz representante dos trabalhadores após ser eleita

Divulgação/FUP
A nova conselheira reconhece que os petroleiros e a própria companhia passam por “um momento muito difícil”

São Paulo – Eleita em primeiro turno com o apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos, a geofísica Rosângela Buzanelli é a nova representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras. Em entrevista ao jornal Valor Econômico nesta quarta-feira (12), ela afirma que o momento da Petrobras é “crítico”, situação que atribui à política desenvolvida desde 2016 (quando Pedro Parente foi nomeado presidente da empresa no governo Michel Temer).  Segundo ela, “tem havido um desvio da rota original de uma empresa pública, forte e indutora do desenvolvimento”.

”Minha candidatura é resultado do coletivo”, disse Rosângela ao site da FUP. Com 33 anos de empresa em 2020, ela defende “uma Petrobras forte e integrada”.

A nova conselheira reconhece que os petroleiros e a própria companhia passam por “um momento muito difícil”. A categoria está mobilizada e a greve deflagrada no dia 1° de fevereiro continua ganhando adesões no país.

Ao Valor, ela afirmou que “a Petrobras está indo na contramão” das grandes petroleiras internacionais, até mesmo privadas, que atuam na direção da integração. Para ela, no caso da empresa brasileira, ela também deveria atuar como parceira do desenvolvimento do país, mas está ficada principalmente no lucro dos acionistas.

A opinião é semelhante à do ex-presidente (2005-2012) da estatal José Sergio Gabrielli. “A empresa está sendo fatiada, vendida aos pedaços. E isso vai na contramão do que as grandes empresas de petróleo estão fazendo no mundo”, disse, no programa Entre Vistas do dia 6.

“A maior parte das grandes empresas do mundo, sejam estatais ou privadas, são integradas, produzem petróleo, refinam, distribuem derivados, trabalham em todos os segmentos da cadeia de petróleo e gás”, acrescentou Gabrielli.

Em janeiro, à RBA, o ex-conselheiro da Petrobras e atual diretor da FUP Deyvid Bacelar observou que, antes da atual política, a estatal atuava em uma imensa cadeia em que explorava, produzia e refinava petróleo, transformando-o em derivados, para vender e produzir energia e divisas para o país.

“Mas a empresa vem se desintegrando, com os seus ativos das áreas de biocombustíveis, termoelétrica, fertilizantes nitrogenados, química e petroquímica sendo vendidos. Vai se reduzindo a uma empresa de exploração e produção, como era na década de 90”, observou Bacelar.