na Unicamp

Encontro de economia política propõe alternativas à agenda neoliberal

Maior evento do segmento no país é organizado pela Sociedade Brasileira de Economia Política e deve reunir nomes como os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Leda Paulani

divulgação / jornal da Usp
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Belluzzo e Leda Paulani: situação da política econômica na América Latina depois do recrudescimento neoliberal

São Paulo – A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realiza entre amanhã (30) e sexta-feira (2) o 22º Encontro Nacional de Economia Política (Enep). O maior evento do segmento no país reúne anualmente centenas de estudantes é organizado pela Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP). Neste ano, o Enep deve reunir nomes como os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Leda Paulani, além do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhares Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, e de diferentes acadêmicos da área.

Os painéis e debates buscam discutir a situação contemporânea da política econômica, em especial na América Latina, depois do recrudescimento da agenda neoliberal após um “breve período com as chamadas políticas econômicas e sociais progressistas”, afirma o presidente da SEP, Marcelo Dias Carcanholo. “A conjuntura brasileira demonstra claramente esse novo momento das economias latino-americanas”, completa.

Tais movimentos observáveis na região são explícitos na busca para “aprofundar as políticas econômicas de arrocho monetário e fiscal, ao mesmo tempo em que as reformas liberalizantes do mercado de trabalho, da Previdência e o aprofundamento das privatizações são apresentados como a única solução possível para a retomada do desenvolvimento econômico”, afirma Carcanholo, em referência indireta às reformas propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB), além da agenda política adotada no país no período pós impeachment de Dilma Rousseff (PT), em maio do ano passado.

Mesmo em um curto período temporal, “os resultados são incontestáveis”, continua o economista sobre essa política adotada. “Forte recessão, elevadas taxas de desemprego, aprofundamento da desigualdade social e da miséria que são tidos pelo atual governo apenas como um custo temporário das reformas amargas, porém necessárias”, afirma. Em contraponto, Carcanholo propõe, em documento de apresentação do encontro, que “essa desfaçatez da restauração conservadora necessita ser enfrentada e combatida por todos aqueles que defendem o pensamento crítico e possuam algum tipo de compromisso com a população mais pobre e oprimida”.

Para tal embate, a SEP afirma “se sentir na obrigação de discutir criticamente a restauração neoliberal na América Latina e no mundo capitalista atual, com objetivo de construir coletivamente estratégias alternativas de desenvolvimento radicalmente contrárias aos ajustes fiscais, reformas liberais e privatizações”.

Os debates serão transmitidos ao vivo na página da SEP no facebook, onde também é possível verificar a agenda completa do Enep.