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Com apoio do governo, CSN disputa controle da CSA com estrangeiros

Empresa alemã ThyssenKrupp receberá propostas oficiais de compra da siderúrgica no Rio de Janeiro; União quer formar grande grupo nacional no setor
por Maurício Thuswohl, da RBA publicado 21/02/2013 19h05, última modificação 21/02/2013 20h06
Empresa alemã ThyssenKrupp receberá propostas oficiais de compra da siderúrgica no Rio de Janeiro; União quer formar grande grupo nacional no setor

Vista parcial da planta da CSA, no Rio, que pode passar a compor grande grupo nacional de siderurgia (©ThyssenKrupp/divulgação)

Rio de Janeiro – A empresa transnacional de origem alemã ThyssenKrupp receberá amanhã (22) as propostas oficiais dos candidatos à compra da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). Megaempreendimento inaugurado em 2010 no Rio de Janeiro, a usina acumulou desde então uma série de problemas e amargou um prejuízo fiscal de um bilhão de euros em 2012. Agora, deverá ser negociada pelos alemães por cerca de 4 bilhões de euros (um terço de seu valor inicial de mercado).

Na disputa, a brasileira Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) conta com o decisivo apoio do governo, por intermédio do BNDES, mas enfrentará dois consórcios estrangeiros formados por empresas de peso no setor siderúrgico. Um dos consórcios reúne a belgo-indiana ArcelorMittal em parceria com a japonesa Nipon Steel. O outro consórcio que deverá apresentar sua proposta oficial pela CSA amanhã é formado pela norte-americana US Steel e pela japonesa JFE Steel. Outro concorrente que também poderá apresentar proposta é o grupo ítalo-argentino Techint.

Comandada pelo empresário Benjamin Steinbruch, a CSN poderá receber do BNDES um aporte de até R$ 4 bilhões para comprar a CSA. A empresa brasileira está sendo incentivada à compra pelo governo federal, interessado em recuperar terreno depois que importantes empresas brasileiras do setor foram adquiridas por estrangeiros. Um exemplo é a Arcelor-Mittal, que deseja a CSA e já assumiu recentemente o controle de empresas nacionais tradicionais, como a Acesita ou a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST).

O desejo do governo seria criar no setor siderúrgico um grande grupo nacional, e o apoio dado à CSN deverá seguir o mesmo roteiro do apoio dado ao frigorífico Marfrig quando este adquiriu os ativos deixados de lado após a fusão da Sadia e da Perdigão. Para Steinbruch, a compra da CSA representaria, sobretudo, a possibilidade de continuar expandindo sua produção, já que a usina da CSN em Volta Redonda (RJ) opera em sua capacidade máxima.

A compra também representaria para a CSN uma oportunidade de inserção no mercado dos Estados Unidos, já que a ThyssenKrupp atrela a compra da CSA à aquisição também de uma usina no Alabama. Juntas, as duas usinas foram a empresa Steel Americas, criada pela ThyssenKrupp para produzir lâminas de aço no Brasil e vendê-las no mercado norte-americano.

Se os brasileiros vencerem a disputa pela compra da CSA e da usina do Alabama, a parceria entre BNDES e CSN resultaria na criação de uma holding para administrar os novos ativos. O mercado aguarda com expectativa o desfecho das negociações. Há 20 dias, após ter conversado com todos os pretendentes, o diretor-executivo da ThyssenKrupp, Heinrich Hiesinger, disse estar “muito satisfeito com o processo de venda da Steel Americas”. Com a venda, a transnacional alemã terá virado a página de um dos piores negócios de sua história.