13 de maio de luta

Coalizão Negra por Direitos promove atos no ’13 de maio de luta’

Neste 13 de maio, reivindicado como data de denúncia de uma abolição incompleta, movimento negro protesta exigindo auxílio emergencial de R$ 600 e o fim da violência policial: “Nem bala, nem fome, nem covid”

Roberto Parizotti/ Fotos Públicas
Atos estão confirmados em 41 cidades. Na capital paulista, a concentração será às 17h, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista

São Paulo – Com o lema, “Nem bala, nem fome, nem covid. O povo negro quer viver!”, o movimento negro realiza protestos nesta quinta-feira (13) em 41 cidades diferentes, sendo 21 capitais do país, contra o racismo. Organizada pela Coalizão Negra por Direitos – que reúne centenas de entidades –, a iniciativa pretende mobilizar mais de 200 mil pessoas em um “13 de maio de luta”. Os protestos cobram o fim da discriminação racial, do genocídio negro, das chacinas e exige a construção de mecanismos de controle social da atividade policial. 

As manifestações marcam ainda este 13 de maio, antes lembrado como o Dia da Abolição da Escravatura, mas hoje celebrado como o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo. A avaliação dos organizadores é que, mesmo após 130 anos da assinatura da Lei Áurea, que decretou a libertação dos escravos no Brasil, os resquícios da escravidão ainda fazem vítimas. 

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 79% das vítimas que morrem em ações policiais são pessoas negras. E, de acordo com estudo publicado no Jornal Britânico de Medicina (BMJ, na sigla em inglês), pobres e negros estão em maior risco de serem infectados devido às condições socioeconômicas.

Justiça por Jacarezinho

A mobilização também lembra das vítimas da chacina no Jacarezinho, mortas por uma operação da Polícia Civil que descumpriu decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e vitimou 27 civis, a maioria deles negros, de 16 a 49 anos. A atuação policial ainda deixou um rastro de horror e pânico na comunidade da zona norte do Rio. Integrante da Coalizão Negra por Direitos, Adriana Moreira, adverte que o modo como se deu a ação no Rio não é algo novo. Segundo ela, a atuação reflete o racismo estrutural que modela as instituições brasileiras. 

“Como aconteceu em 2006 com as Mães de Maio, com Mães de Manguinhos e as Mães da Candelária. Estes não são eventos isolados, se repetem na história. O Brasil precisa de fato encarar que o racismo é um sistema que organiza as relações sociais e que hierarquiza o valor das vidas humanas. Se o país tem de fato interesse em se tornar uma democracia, precisa primeiro enfrentá-lo. Um Brasil sem racismo é um Brasil melhor para todas as pessoas, não apenas para a população negra”, afirma a ativista em entrevista a Marilu Cabañas, da Jornal Brasil Atual

Auxílio e impeachment

As manifestações nesta quinta também cobram a implementação do auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia e reivindicam o impeachment do presidente de Jair Bolsonaro. À repórter Larissa Bohrer, da Rádio Brasil Atual, a deputada estadual Renata Souza (Psol-RJ), que estará presente ao ato, avalia que a situação de vulnerabilidade que vem se agravando no Brasil é consequência direta da omissão de Bolsonaro

“O governo completamente inoperante, ineficiente e descompromissado com a vida humana no Brasil”, aponta. “Ele não é só negligente, mas impede que as pessoas sobrevivam. Sem dúvida nenhuma esses atos pelo país inteiro revelam um levante da população contra o governo federal e contra toda a lógica de necropolítica que se opera a partir dele”, destaca a deputada estadual. 

Os protestos ocorrem ao longo de todo o dia, em horários alternados nesta quinta. Na cidade de São Paulo, a concentração será às 17h, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, o protesto ocorre no mesmo horário, na Candelária, região central da capital fluminense. Também estão confirmados atos em Nova York e Texas, nos Estados Unidos. 

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