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Trabalhadores sem teto e sem terra se unem para doar comida à população de rua

Em São Paulo, MST e MSTC trabalham juntos na produção de quentinhas saudáveis. E é possível ajudar com doações e até comprando uma rifa virtual com prêmios doados por artistas

Divulgação MST/MTST
Alimentos frescos, cultivados pelo MST, são preparados em cozinha do MSTC

São Paulo – De onde mais se espera solidariedade é lá que se encontra mesmo. O Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) e o Movimento Sem Terra de São Paulo (MST/SP) uniram-se para a produção de quentinhas saudáveis para a população em situação de rua e vulnerabilidade da capital paulista.

As duas entidades, uma do campo e outra da cidade, são agentes sociais em luta pelo direito à terra, à moradia, à vida. Em meio à crise sanitária, social e econômica, consideram a solidariedade mais um ato de resistência.

As quentinhas, informam os organizadores, são elaboradas por chefs convidados e preparadas nas cozinhas da Ocupação 9 de Julho do MSTC e do Armazém do Campo do MST, ambos na região central de São Paulo.

A expectativa, caso consigam ampliar a arrecadação, é expandir o trabalho para outras cozinhas solidárias.

As cozinheiras e cozinheiros responsáveis pela elaboração das refeições na Ocupação 9 de Julho são moradoras e moradores de baixa renda das ocupações do MSTC e recebem ajuda de custo para manutenção também de suas próprias vidas nesse período de crise.

Alimente uma pessoa

Para ajudar o projeto, o principal gesto oferecer uma das quentinhas que serão feitas pelas cozinhas solidárias.

O valor de custo de cada quentinha é R$ 10. É possível doar uma ou quantas puder. Doando mais quentinhas, nos valores de R$ 70, R$ 80, R$ 110, R$1 70, R$ 180 ou R$ 200, o doador recebe uma lembrança da Cozinha da Ocupação 9 de Julho do MSTC ou do MST/SP Armazém do Campo como gesto de gratidão. São panos de prato, copos, bonés, camisetas e aventais.

Os super apoiadores, com doações de R$ 1.000 ou R$ 3.000, recebe gravuras em serigrafias das lindas imagens da campanha Lute Como Quem Cuida.

Acompanhe as ações desta iniciativa nos canais do Facebook e do Instagram @cozinhaocupacao9dejulho, @movimentomstc, @movimentosemterra e pela página exclusiva da campanha @lutecomoquemcuida.

Fogo que aquece

“É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos”, afirma o poeta Sergio Vaz.

Assim, o conceito geral do projeto sustenta-se a partir do gesto de cuidar do outro. “Este cuidado, por sua vez, se dá, na prática, por meio de alimentar o outro. Nossas cozinhas não podem estar indiferentes àquelas e àqueles que, em situação de rua, passam fome durante a pandemia causada pela covid 19”, afirmam os organizadores.

“Queremos resgatar o conceito do fogo como aquecimento dos corpos, cozimento dos alimentos, da passagem do conhecimento e das experiências afetivas em torno dele. Experientes chefs de cozinha e uma rede de artistas apoiadores nos dão as mãos. Afinal, o cuidado de nos alimentarmos bem e assim alimentamos o outro requer não somente receitas variadas e fartas, mas, também, trocas de informações, solidariedade e poesia”, informam.

A ajuda também pode ser feita por meio da participação de uma rifa. A premiação vem dos artistas parceiros do projeto. Instrumentos musicais, peças autografadas e muitos presentes de cantores, cantoras e bandas.

Além disso, é possível contribuir com o fundo de solidariedade, somando a quantia que puder.

O MTSC

O Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) tem como objetivo garantir o direito constitucional à moradia e uma reforma política e social que democratize o direito à cidade como um bem comum. Atende mais de duas mil pessoas, entre adultos, crianças e jovens. E coordena cinco ocupações e um empreendimento no centro de São Paulo.

Desde 2017, funciona a Cozinha da Ocupação 9 de Julho. O projeto de cozinha coletiva tem por objetivo suprir as necessidades do MSTC em relação à alimentação durante suas atividades e promover, por meio de almoços abertos, maior visibilidade à luta por moradia. Assim, uma vez por mês, um chef com experiência é chamado para conduzir o almoço, em uma ação voluntária e aberta ao público.

Os domingos de almoços incluem uma programação com shows, oficinas e ações de formação. Durante a pandemia de Covid-19, esses almoços transformaram-se em quentinhas para a população em situação de vulnerabilidade.

O MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) existe há 36 anos na luta pela Reforma Agrária Popular e pela defesa dos bens e recursos naturais no Brasil. Organiza nacionalmente agricultoras e agricultores em 24 estados do país. Os assentamentos e acampamentos produzem comida saudável e diversificada, sem veneno, respeitando a natureza e promovendo o equilíbrio do meio ambiente. Isso significa cuidar para não poluir o ar, não destruir matas e florestas e nem contaminar rios e subsolos com agrotóxicos, como faz o agronegócio no país.

O Armazém do Campo é a loja de produtos agroecológicos, orgânicos e da agricultura familiar do MST em várias cidades do país.

Desde o início de março, o movimento vem realizando ações de solidariedade para fornecer gratuitamente parte da comida que é produzida nos acampamentos e assentamentos.

Na capital paulista já foram entregues 6 mil quentinhas para alimentar pessoas em condições de alta vulnerabilidade, como migrantes e pessoas em situação de rua.

Edição: Fábio M Michel