São Paulo

Doria ainda não liberou auxílio-alimentação a estudantes pobres

Anunciado há duas semanas, benefício ainda não chegou às famílias, mesmo com a quarentena já tendo sido prorrogada no estado

Gov/SP
Doria determinou uma articulação com os municípios para criar o feriadão, mas não impôs restrições à circulação de pessoas

São Paulo – O auxílio-alimentação para estudantes em situação de vulnerabilidade social, que dependiam da merenda escolar para ter uma alimentação completa, anunciado pelo governador paulista, João Doria (PSDB), ainda não começou a ser pago. Com as aulas suspensas desde 23 de março, devido à pandemia de coronavírus, o governo estima que 700 mil alunos estejam com dificuldades para se alimentar no estado. O programa Merenda em Casa foi anunciado em 25 de março, pouco depois da decretação da quarentena no estado, que já foi renovada e agora vale até o próximo dia 22.

O valor de R$ 55 será pago por estudante. Famílias com mais de uma criança matriculada vão receber esse valor para uma delas. O primeiro período de pagamento é de 60 dias, mas será prorrogado enquanto durar a suspensão das aulas.

Para receber o auxílio-alimentação, é preciso ser beneficiário do Bolsa Família ou ser reconhecido como família em condição de extrema pobreza, de acordo com o Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. O responsável pelo estudante deve baixar o aplicativo Picpay, criar uma conta no nome cadastrado no Cadúnico e o recurso estará disponível em até quatro horas. O valor só pode ser usado em estabelecimentos que aceitem Picpay.

Em entrevista coletiva no início da tarde de hoje, Doria disse que o repasse vai ser iniciado esta semana. O que foi uma boa notícia para a diarista Iracema Gonçalves, mãe de três crianças, de 10, 8 e 7 anos, que está preocupada com a demora na liberação do auxílio-alimentação, já que também perdeu grande parte da renda, sem poder trabalhar. “Nosso gasto com alimentação cresceu muito. E não é só porque as crianças estão em casa o dia inteiro, mas porque o mercado está muito caro. É uma ajuda pequena, mas nossa vida vai fazer diferença”, afirmou.

Capital paulista

O governo do prefeito Bruno Covas (PSDB) também criou um auxílio-alimentação para os estudantes da rede municipal que vivem em situação de vulnerabilidade social. O recurso já começou a ser repassado, mas a prefeitura excluiu cerca de 300 crianças de 6 anos que ficaram sem vaga na primeira série da rede municipal de educação este ano em São Paulo, por falta de planejamento do governo Covas.

Mães dos estudantes relatam que chegaram a fazer uma matrícula no Centro Educacional Unificado (CEU) Alvarenga, em 17 de fevereiro, mas agora descobriram que os filhos não estão matriculados.

“É uma injustiça. Se eles estão preocupados com as crianças que estão com dificuldade para se alimentar, cadê a preocupação com meu filho? Ele está fora da escola por causa de erro da prefeitura. Eu liguei na Diretoria Regional de Educação e me disseram que as crianças não teriam direito ao auxílio-alimentação por não estarem matriculadas. Eu questionei, disse que eles não estão matriculados não é por culpa dos pais. Os pais colocaram os filhos na escola, meu filho, até o ano passado, estava estudando e esse ano não está por culpa da prefeitura”, afirmou Ana Paula de Jesus Santos, que está desempregada e tem três filhos.

A proposta do governo Covas é atender 273 mil crianças que deixaram de receber a merenda escolar devido à suspensão das aulas por causa da pandemia. Alunos de creches receberão R$ 101 por mês. Estudantes do ensino infantil, R$ 63, e do ensino fundamental, R$ 55. Os cartões podem ser usados em 40 mil supermercados, e os créditos serão renovados uma vez ao mês, enquanto as aulas estiverem suspensas.


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