governo covas

Auxílio-alimentação: crianças que ficaram sem vaga em escola são excluídas

Prefeitura deixou cerca de 300 crianças sem vaga na primeira série este ano e agora diz que elas não têm direito ao auxílio alimentação pago aos estudantes

Rovena Rosa/Agência Brasil

São Paulo – Cerca de 300 crianças de 6 anos que ficaram sem vaga na primeira série da rede municipal de educação este ano em São Paulo, por falta de planejamento do governo do prefeito Bruno Covas (PSDB), também foram excluídas do benefício de auxílio-alimentação que a prefeitura criou para atender as crianças mais vulneráveis socialmente, que dependem da merenda escolar para completar a alimentação.

Mães dos estudantes relatam que chegaram a fazer uma matrícula no Centro Educacional Unificado (CEU) Alvarenga, em 17 de fevereiro, mas agora descobriram que os filhos não estão matriculados.

“É uma injustiça. Se eles estão preocupados com as crianças que estão com dificuldade para se alimentar, cadê a preocupação com meu filho? Ele está fora da escola por causa de erro da prefeitura. Eu liguei na Diretoria Regional de Educação e me disseram que as crianças não teriam direito ao auxílio alimentação por não estarem matriculadas. Eu questionei, disse que eles não estão matriculados não é por culpa dos pais. Os pais colocaram os filhos na escola, meu filho, até o ano passado, estava estudando e esse ano não está por culpa da prefeitura”, afirmou Ana Paula de Jesus Santos, que está desempregada e tem três filhos.

Ana Paula lembra que foi orientada a ir ao CEU Alvarenga para fazer matriculado filho que ia começar o ensino fundamental e ficou sem vaga. “Eu fui lá, levei foto, documentos, muitos pais faltaram no serviço, foi uma bagunça, uma fila enorme. Teve gente que saiu sem conseguir fazer essa matrícula e depois foram nos outros dias. Essa matrícula era só enganação. Agora a gente tem essa notícia de que eles não estão matriculados”, relatou.

O governo Covas iniciou a distribuição do auxílio-alimentação para 273 mil estudantes da rede municipal de educação na última quinta-feira (2). A proposta é atender crianças que deixaram de receber a merenda escolar devido à suspensão das aulas por causa da pandemia de coronavírus. Alunos de creches receberão R$ 101 por mês. Estudantes do ensino infantil R$ 63 e, do ensino fundamental, R$ 55. Os cartões podem ser usados em 40 mil supermercados e os créditos serão renovados uma vez ao mês, enquanto as aulas estiverem suspensas.

Os pais relatam que desde dezembro tentam uma solução para a falta de vaga das crianças na primeira série. Todas elas frequentaram Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis) no ano passado, mas não tiveram a vaga garantida este ano. Os pais relataram promessas de solução marcadas para os dias 17 de dezembro de 2019, depois 6, 20, 28 de janeiro e 3 de fevereiro.

Sem solução, a prefeitura prometeu erguer uma unidade emergencial, que ficaria pronta na segunda quinzena de março, para as aulas se iniciarem em abril. Com a pandemia de coronavírus, as aulas acabaram suspensas sem informações sobre o andamento da obra.

“É lamentável isso, lamentável mesmo, porque não é a nossa culpa. A culpa é da prefeitura por eles estarem sem escola. E agora, no meio dessa turbulência, eles não têm direito ao auxílio alimentação. Nenhum benefício. É um descaso total”, lamentou Fabiana Cordeiro Machado, que também está desempregada e tem dois filhos. Ela também fez o processo de matrícula que agora descobriu que não existe. O marido perdeu o emprego recentemente, devido a pandemia de coronavírus, que levou ao fechamento do shopping onde ele trabalha.

“A gente não tem nada, está mais difícil, o auxílio ia ajudar. Quando meu marido consegue algum ‘biquinho’ para fazer, já ajuda. Porque as crianças já estão fora da escola, a gente tem que ficar em casa por causa disso tudo. Ainda quando eles têm direito, que é um benefício, infelizmente eles não vão poder. Ainda para ajudar, no mercado está tudo muito caro, o leite, o arroz, o feijão, tudo subiu o valor”, relata Fabiana.

A prefeitura não se manifestou sobre a exclusão das crianças que estão sem vaga.