Seca

Coronavírus e estiagem: agricultores familiares do Sul sofrem com duas crises

Segundo os trabalhadores, situação se agrava mais com o descaso dos governos estaduais e federal

Marina Koçouski/Contraf
Região Sul enfrenta um longo período de seca desde dezembro. Com isso, as famílias que vivem da agricultura familiar estão perdendo renda

São Paulo – Agricultores familiares dos estados da região Sul enfrentam duas grandes crises: a forte estiagem e o coronavírus. O mais grave, segundo os agricultores, é o descaso dos governos estaduais e federal com a situação. Os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentam longo período de seca, desde dezembro. Com isso, as famílias que vivem da agricultura familiar estão perdendo renda e o trabalho no campo.

A situação se agrava com o cenário de pandemia de covid-19. No Rio Grande do Sul, a produção de grãos, como feijão, milho e soja, está prejudicada. A seca também afetou a produção de leite, já que sem chuva não há pastagem de qualidade e água para os animais.Rui Valença, da coordenação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul, fez inúmeros pedidos para tratar dos problemas causados pela seca, mas não houve resposta dos governos.

“O governo do estado não está levando a sério a nossa situação. Eles só prorrogaram a dívida até 31 de maio. Isso não resolve nada, porque estaremos sem dinheiro para pagar isso. Pedimos a criação de um comitê estadual e não foi feito; pedimos um programa de aquisição de alimentos, também não foi feito. De uma maneira geral, o governo nada fez”, denunciou Rui, em entrevista à repórter Larissa Bohrer, da Rádio Brasil Atual.

Sem comercialização

Em Santa Catarina, os agricultores familiares que produzem leite tiveram 50% da produção perdida. A situação piora com a pandemia, porque do leite produzido apenas 30% é comercializado in natura, o resto é transformado em laticínios.

Com o comércio fechado, os produtos não escoam. Lizete Maria Bernade, da coordenação de Finanças da Fetraf Santa Catarina, comenta que nem a lei que diz que 30% das compras institucionais devem vir da agricultura familiar está sendo respeitada pelo governo catarinense. Ainda de acordo com ela, a promessa do governo federal de ajudar as famílias com uma renda emergencial específica durante este período de estiagem não foi concretizada.

“O governo federal também não cumpriu com o auxílio. Houve a divulgação, mas os agentes financeiros não passaram nada. Nós sabemos que é um valor que não resolve os problemas dos agricultores, vai virar mais uma dívida, já que o valor seria pago em 3 anos com juros altos. Não resolve o endividamento”, criticou.

Elizandro Paulo, da Contraf Paraná, conta que a situação em sua região é parecida com a dos outros estados do sul do país. Ele cobra dos governos medidas urgentes para reverter esse quadro.

“Por conta das duas crises, estamos cobrando as autoridades devidamente constituídas que tragam medidas urgentes e efetivas para mudar essa realidade e garantir a continuidade da agricultura familiar, que é protagonista na produção de alimentos. Precisamos de uma medida que minimize os impactos dessas crises”, acrescentou.

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