Combate à epidemia

Datafolha: 73% apoiam isolamento temporário contra coronavírus

Entrevistados concordam com medidas mais restritivas de forma geral; 37% dizem ter parado de trabalhar, maioria composta de jovens ricos e mais escolarizados

Jorge Araujo/FotosPublicas
Imagem da Avenida Paulista neste sábado (21). População tem evitado sair às ruas

São Paulo – Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (22) mostra que a grande maioria dos entrevistados apoia medidas de contenção para tentar barrar a epidemia de coronavírus. O instituto ouviu, por telefone, 1.558 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou menos.

Quando perguntados se são a favor de o governo proibir por algum tempo todas as pessoas de saírem nas ruas para diminuir o contágio do coronavírus, 73% apoiam a ideia, enquanto 24% são contrários, 2% se dizem indiferentes e 1% não souberam responder.

O presidente Jair Bolsonaro tem resistido à ideia de adoção de medidas mais restritivas de circulação de pessoas. Reagindo a medidas adotadas por governadores neste sentido, ele editou na noite da sexta-feira (20) um decreto e uma medida provisória que garantem ao governo federal a competência sobre circulação interestadual e intermunicipal. Segundo as medidas, caberá ainda ao presidente indicar quais os serviços públicos e atividades essenciais deverão ter o funcionamento preservado durante a pandemia.

Em vídeo, o biólogo e doutor em Microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP) Atila Iamarino defendeu que o Brasil precisa passar das medidas de mitigação que estão sendo tomadas pelo poder público para iniciativas mais contundentes, como o isolamento total.

“Não temos empresas parando, trabalho parando e todo mundo que poderia ser dispensado não está em casa. Nenhum país pode parar serviços essenciais, mas a circulação de pessoas precisa parar”, aponta. Segundo ele, o país tem duas opções para combater a epidemia: com a vida semi-restrita ou completamente restrita. Este último cenário, de acordo com ele, seria o mais correto a ser adotado para salvar o maior número de vidas possível.

Sobre os efeitos da pandemia no cotidiano, 37% dos entrevistados disseram ter parado de trabalhar, 55% deixaram de ir a aulas, 76% interromperam atividades de lazer e 46% não saem mais às ruas. Entre os que pararam de trabalhar, a maioria é composta de jovens, de renda mais elevada e escolarizados.

Medidas mais apoiadas

A suspensão de eventos com mais de 100 pessoas é a medida com mais alta taxa de aprovação, 95%, seguindo-se a suspensão de viagens internacionais (94%) e a suspensão de aulas nas escolas, das viagens em geral e o fechamento de fronteiras (92%). A interrupção de campeonatos de futebol é apoiada por 91%.

Já a suspensão de celebrações religiosas presenciais é aprovada por 82%, enquanto o fechamento do comércio é o tema que mais causa divisões: 46% são favoráveis, 33% são contrários, e 21% aprovam a medida parcialmente.

Neste sábado, o governador de São Paulo João Doria decretou quarentena em todo o estado a partir de 24 de março, com duração estimada em um período de 15 dias. Em caráter de excepcionalidade, poderão permanecer abertos hospitais, clínicas médicas e odontológicas, farmácias, supermercados, hipermercados, padarias e açougues, bancas de jornais, lojas de pet shop e transportes. Restaurantes e bares poderão funcionar só com serviço de entrega.

Pessoas se dizem informadas sobre coronavírus

Entre as pessoas ouvidas pelo Datafolha, 99% dizem ter conhecimento sobre o coronavírus, e 72% se consideram bem informados. Outros 24% se dizem mais ou menos informados e 3% afirma estar desinformados.

A pesquisa mostra ainda que 74% têm medo de ser infectados pelo coronavírus, sendo que 36% afirmam ter muito medo, e 38%, pouco. O índice mais elevado de pessoas que acreditam que não serão contaminadas é o principal grupo de risco: 19% daqueles com mais de 60 anos creem que não serão infectados.