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Literatura militante

Michel Löwy e Bela Gil estão na festa de 20 anos da editora Expressão Popular

Agroecologia e gastronomia para pensar; livros para devorar; e produção de informação em tempos de disputa de narrativas. Confira a programação
Publicado por Cláudia Motta, para a RBA
16:00
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Bela Gil e Michael Löwy, cada um em sua seara, dedicam-se a propor às pessoas pensamentos revolucionários

São Paulo – “Na batalha das ideias.” A frase, que aparece junto à logomarca da editora Expressão Popular, expressa bem o princípio que inspirou sua criação, há 20 anos, e sua razão de existir ainda hoje. “Esse é o nosso grande legado, justamente o que possibilita fazermos o que é nosso objetivo central”, afirma o coordenador-geral e diretor da Expressão Popular, Carlos Bellé.

“É atribuição da editora realizar a batalha das ideias a partir do eixo da classe que ela representa”, diz Bellé. E essa classe, são os trabalhadores, os movimentos populares. “Só um outro projeto de organização popular, do Estado, da sociedade como um todo será capaz de superar os desafios pautados pela crise constantemente provocada pelo capital.”

E é esse projeto que há 20 anos a Expressão Popular ajuda a construir. Não por acaso, destaca a Alca: integração soberana ou subordinada?, coletânea organizada pelo sociólogo Emir Sader, com uma das obras de destaque da editora nesses 20 anos de existência. Já fora do catálogo da editora – que conta atualmente com 300 títulos dentre os mais de 600 lançados ao longo dessas duas décadas –, a obra foi fundamental na campanha que manteve o Brasil fora da Área de Livre Comércio das Américas e acabou por enterrar de vez o projeto norte-americano. Lançado em 2001, foram distribuídos 20 mil exemplares que ajudaram a subsidiar os debates sobre o tema em todo o país.

A distribuição, aliás, é outra marca da editora. Com uma livraria que funciona em São Paulo desde 13 de agosto de 2010, as obras da Expressão Popular e das cerca de 70 editoras coirmãs, como define Bellé, são distribuídas em todo o país pela militância. São 132 revendedores em nível nacional. Desses, 45 são livreiros militantes. Não há congresso de trabalhadores, feira de agroecologia, ato, protesto, festival de música, teatro ou cinema independente em que não se encontre uma banquinha com os livros da editora. São mais de 3.500 títulos selecionados das áreas de geografia, política, história, sociologia, mundo do trabalho, economia, clássicos do marxismo e, claro, literatura, disponíveis também no site da editora.

“Se algum dia puder, leia os textos da Expressão Popular”, diz Bellé, quase que como numa convocação. E, em tempos tão severos de informação e contrainformação, ele dá a fórmula. “Qualquer mudança sempre será feita com milhões de pessoas defendendo ideias, propostas, mas construindo a identidade de uma nação, de um povo que leve a destruir estruturas injustas e construir sob novos moldes uma sociedade mais igualitária, solidária, humana, que respeite o meio ambiente, as minorias, e traga bem-estar à maioria da população.”

Che, Lowry e Bela Gil

Fundada em 29 de janeiro de 1999, a Expressão Popular escolheu comemorar seu aniversário no mês de outubro. Foi quando, há duas décadas, a editora teve autorizada a liberação dos direitos autorais da sua primeira publicação: O Pensamento de Che Guevara, de Michael Löwy – intelectual brasileiro radicado na França.

O autor participará das celebrações, assim como a culinarista Bela Gil, apresentadora de um programa de gastronomia saudável no canal pago GNT – que tem também seu próprio canal no YouTube – e defensora da agroecologia, um dos eixos editoriais da Expressão Popular.

Serão realizados debates e atividades em 16 cidades por todo o Brasil, envolvendo “autores, leitores e quem mais se interessar em transformar o presente e incidir na batalha das ideias”, informa o convite da editora. Confira a programação.

Além da livraria física e virtual, a Expressão Popular criou o ano passado um Clube do Livro. A iniciativa leva aos assinantes, mensalmente, um lançamento avalizado pela Expressão Popular de acordo com os principais eixos editoriais: publicações que ajudem a entender a natureza da crise geral pela qual o mundo passa e como os trabalhadores podem se posicionar diante disso, a pedagogia que ensina a mudar comportamentos para avançar nas mudanças que a sociedade tanto necessita, além da agroecologia, para produção e consumo de alimentos que respeitem o ambiente e as pessoas.

Na linha do “ninguém solta a mão de ninguém”, são esses assinantes, a militância literária, que colaboram com a manutenção da editora que não disputa o mercado editorial. “Os militantes são responsáveis por manter esse projeto em que um fortalece o outro, numa grande rede que tem por objetivo a formação de uma grande biblioteca popular”, afirma Bellé.

Sob o lema Ação Literária Expressão Popular – Debate, Cultura, Solidariedade, as comemorações ao longo da semana contam, além dos debates, com lançamentos de livros, descontos em publicações e atividades culturais.

Em São Paulo, a festa será realizada entre os dias 11 e 13, no Armazém do Campo (Alameda Eduardo Prado, 499, Campos Elíseos).

Dia 11
• A partir das 19h, abertura e apresentação musical

Dia 12
• Feira de livros das 9h às 21h.
• Entre 10h e 12h, lançamento do livro Iemanjá, A Deusa do Mar, com a presença da autora Marlene Crespo, e Oficina – contação de história “Ubuntu”, com Inaiá Araújo.
• Das 12h às 15h, almoço com alimentação saudável e música ao vivo.
• Entre 15h e 17h, debate “Os 20 anos da Expressão Popular e a Batalha das Ideias nos tempos atuais”, com Carlos Bellé, diretor da editora; Michael Löwy, brasileiro radicado na França, diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisa Científica, estudioso do marxismo e de obras de Leon Trótski, Rosa Luxemburgo, Georg Lukács, Lucien Goldmann e Walter Benjamin; Rosana Fernandes, coordenadora da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF); e Ricardo Gebrim, da coordenação da Consulta Popular.

Dia 13
• Feira da livros das 9h às 18h.
• Das 10h às 12h, debate “Agroecologia e alimentação saudável” e homenagem a Ana Maria Primavesi, a “mãe” da agroecologia no Brasil. Com Bela Gil, culinarista e apresentadora de televisão; Larissa Bombardi, professora do Departamento de Geografia da USP, autora do atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia e colunista da Rádio Brasil Atual; e José Maria Tardin, do MST.