Deep Web

Submundo da internet estimula crimes como o da escola em Suzano

Poder público deve estar tecnologicamente à altura das novas ameaças virtuais. Protegidos pelo anonimato, integrantes de fóruns disseminam todo tipo de discurso de ódio

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Massacre em Suzano foi comemorado em fóruns que reúnem internautas que se dizem frustrados e revoltados com o ‘sistema’

São Paulo – Em fóruns virtuais da chamada deep web, os executores do massacre da escola de Suzano foram saudados como “heróis”, como mostra reportagem da Ponte Jornalismo. Estes fóruns formam um submundo virtual inacessível a navegadores comuns e reúnem pessoas que, anonimamente, passam a propagar discursos de ódio, racismo, misoginia (ódio contra as mulheres) e homofobia, incitando crimes como o ocorrido na última quarta (13). 

Para a integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social – Flávia Lefévre, que também participa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), é preciso que o poder público – polícias e Ministério Público – se desenvolva tecnologicamente para combater esse tipo de crime no mundo virtual. Episódios como o da escola de Suzano são celebrados por esses grupos como forma de “despertar” a sociedade contra um “sistema opressor” e seus “ideais socioculturais”, que impedem os seus integrantes de fazer e ser “o que quiserem”. 

Não faltam leis no Brasil. O que falta, especialmente neste momento, é um compromisso dos organismos públicos de atuar na garantia desses direitos. Se a gente tem conhecimento de que existe um grupo dentro da deep web comemorando, estimulando e incitando ódio – o que é crime –, assim como essas pessoas acessam, a polícia também deve acessar e atuar para coibir”, afirma Flávia, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas na Rádio Brasil Atual nesta quinta-feira (14).

Ela diz que, especialmente no Brasil, vive-se um clima de extrema polarização que faz com que grupos políticos desvalorizem conquistas civilizatórias realizadas nas últimas décadas, desde a Constituição de 1988. 

“É muito grave quando representantes dos poderes públicos adotam posturas estimulando o armamento, a violência e o desrespeito a esses direitos fundamentais. Compromete o desenvolvimento e aplicação de políticas públicas, bem como a aplicação de recursos para garantir que a polícia apure a violação a esses direitos. Estamos vivendo um momento muito perigoso institucionalmente, e isso pode ser reverter no caos, como ocorreu ontem na escola em Suzano.”

Ouça a íntegra da entrevista