Pela continuidade

Comissão que identifica corpos de vítimas da ditadura se reunirá com Bolsonaro

De acordo com presidenta da comissão, grupo conversará com futuro presidente para discutir a continuidade das investigações que estão amparada por lei e acordos

Antonio Cruz EBC/Reprodução
Desaparecidos políticos

“É um sofrimento impensável para as famílias e uma atitude absolutamente anticristã você negar o sepultamento”, diz Eugênia

São Paulo – As perspectivas de continuidade da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que vem atuando para a identificação das ossadas descobertas em cemitério clandestino em Perus, região noroeste da cidade de São Paulo, serão discutidas com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), segundo antecipa a procurada regional da República Eugênia Gonzaga, que preside a comissão.

A expectativa, de acordo com a presidenta, é que a comissão, criada por lei, possa continuar com seus trabalhos. Nesta segunda-feira (3), o grupo anunciou a descoberta de um segundo corpo de preso político desaparecido, identificado como sendo do sindicalista e militante Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, assassinado pelo DOI-Codi de São Paulo, em 1971, centro de prisões e torturas então chefiado pelo comandante Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos ídolos do presidente eleito.

“Tudo o que nós queremos é continuar realizando nosso trabalho humanitário. É um direito mínimo da família de terem seus corpos de volta, ou seja, não se questiona nada, nem motivo da morte, nada, simplesmente entregamos os corpos e nós queremos continuar com o nosso trabalho, nossa pauta é onde estão (os desaparecidos) “, ressalta Eugênia em entrevista a Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

A presidenta destaca ainda que o futuro governo poderia, inclusive, aproveitar “de suas condições de autoridade” sobre as forças armadas e policiais, para que revelem o destino dos corpos dos desaparecidos políticos à época da repressão militar. “Também apelar para o lado confessional do Estado, porque isso é um sofrimento impensável para as famílias e é uma atitude absolutamente anticristã você negar o sepultamento”, afirma.

Ouça a entrevista na íntegra