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Via Campesina responsabiliza Temer pelo aumento da violência no campo

Para entidades, além de não demarcar as terras indígenas e quilombolas, governo assume política que converte o meio ambiente em recursos para o capital e entidades ligadas ao agronegócio
por Redação RBA publicado 08/05/2017 19h53, última modificação 08/05/2017 19h56
Para entidades, além de não demarcar as terras indígenas e quilombolas, governo assume política que converte o meio ambiente em recursos para o capital e entidades ligadas ao agronegócio
Divulgação/Cimi
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Local onde ocorreram os ataques aos índios Gamela, em Viana, Maranhão

São Paulo – Delegados de mais de 80 organizações de 22 países latinoamericanos, reunidos na Assembleia Continental do Cloc-Via Campesina, na Colômbia, responsabilizam o governo de Michel Temer (PMDB) pelo aumento da violência no campo, contra povos indígenas, quilombolas e campesinos no Brasil.

Em carta de solidariedade, os delegados destacam o ataque ao povo indígena Gamela em Viana, Maranhão, no último dia 30, por homens munidos de armas de fogo e facões. Pelo menos 13 indígenas foram gravemente feridos, cinco baleados e dois com as mãos decepadas. "O ataque foi feito por fazendeiros, com participação de políticos da região", ressalta o documento.

Na ocasião, a Frente Parlamentar da Agropecuária soltou nota defendendo o ataque.

Ainda segundo os delegados, "a maior responsabilidade por essa situação de violência é do Governo Federal, que além de não realizar a demarcação das terras indígenas e quilombolas, vem assumindo abertamente, e sem pudor, uma política de desenvolvimento que converte o meio ambiente em recursos disponíveis para o capital e seu total e irrestrito apoio às entidades ligadas ao agronegócio. Além disso, o Governo golpista tem sucateado e extinto Ministério e secretarias estratégicos, que tinham por objetivo dar suporte a políticas públicas, que respondiam parte das demandas desses povos.”

Eles advertem para a tendência de agravamento da situação, já que os “setores da elite burguesa se articulam e acionam seus representantes políticos no Executivo, Legislativo e Judiciário para assegurar, por um lado, a expansão de seus domínios territoriais e, por outro, para aprovar reformas que visam à retirada de direitos constitucionais, conquistados com muita luta e resistência”.

A Cloc-Via Campesina é uma instância de articulação continental lançada há 20 anos. Seu compromisso é com a luta social que representa movimentos campesinos, de trabalhadores e trabalhadoras, indígenas e afrodescendentes de toda a América Latina. O objetivo é aprofundar a discussão sobre a paz no continente, a unidade e a aliança entre o campo e a cidade.