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Moradores de favelas consomem mais, e o endividamento também cresce

Estudo destaca que 12,3 milhões de moradores de favelas no país movimentam por ano R$ 68,6 bilhões. São 35% endividados hoje, ante 27% verificado na pesquisa de 2013

flickr/reprodução
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Nos próximos 12 meses, moradores planejam comprar mais, principalmente notebook, tablet e TV de plasma

São Paulo – Pesquisa realizada no mês passado com 2 mil moradores de 63 favelas em todo o país mostra que os segmentos menos favorecidos da população brasileira continuam avançando em termos de poder aquisitivo e consumo, mas estão mais endividados. A pesquisa feita pelo instituto Data Favela, com apoio do Data Popular e da Central Única das Favelas (Cufa), será divulgada amanhã (3), durante o 2º Fórum Nova Favela Brasileira, em São Paulo.

Realizada em nove regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre), mais o Distrito Federal, a pesquisa destaca que 12,3 milhões de moradores de favelas no país movimentam por ano aproximadamente R$ 68,6 bilhões.

Os números refletem as políticas que levaram ao aumento real do salário mínimo e ao crescimento do emprego formal. Pesquisa anterior, feita em 2013, apontava que 46% dos lares tinham TV de plasma, LED ou LCD, hoje são 67%. Mostra também que hoje 75% das casas têm máquina de lavar roupas; eram 69%. Carros são 24% e eram 20%; motos são 14% contra 13%.

E os moradores de favelas não pretendem parar de consumir. Nos próximos 12 meses, planejam comprar principalmente notebook, tablet e TV de plasma. A notícia ruim é que, ao elevar o consumo, os moradores nas favelas estão mais endividados hoje do que há dois anos: 35% das pessoas possuem dívidas hoje ante 27% em 2013. Agora, o endividamento é mais alto entre as pessoas de 35 a 49 anos – 45% da população nessa faixa etária têm dividas. A inadimplência permanece estável: são 22% com contas atrasada há mais de 30 dias.

A alta dos preços assusta oito em cada dez moradores; e quanto menor a renda, maior é a preocupação: 82% da classe baixa, 80% da classe média e 73% da classe alta. Para fazer frente aos preços altos, 86% dos moradores das favelas costumam pesquisar os preços dos produtos.