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Dois casamentos marcam a vigência da lei de união homossexual na Argentina

por Luiz Antônio Alves, correspondente da Agência Brasil na Argentina publicado 30/07/2010 16h06, última modificação 30/07/2010 16h10

Alejandro Vanelli e Ernesto Larrese se casam nesta sexta-feira na Argentina, depois da nova lei permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo (Foto:Enrique Marcarian/Reuters)

Buenos Aires - Duas cerimônias praticamente simultâneas, mas em regiões diferentes, tornaram realidade, pela primeira vez, a lei aprovada no último dia 15 pelo Congresso da Argentina, que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.

O primeiro casamento, que entrará para a História do país, aconteceu na cidade de Frias, na província de Santiago del Estero, e foi celebrado entre o arquiteto José Luis Navarro, de 54 anos, e o administrador aposentado Miguel Angel Calefato, de 65 anos. O casal está junto há 27 anos. Segundo Navarro, o casamento com Miguel já estava programado antes mesmo da aprovação da lei pelo Congresso.

O segundo casamento de hoje, e o primeiro em Buenos Aires, reuniu legalmente o representante artístico Alejandro Vanelli, 61 anos, e o ator Erneso Larresse, de 60 anos. A cerimônia, transmitida em rede nacional pela televisão, graças a um acordo entre as emissoras argentinas, transformou-se numa oportunidade para Laresse avisar aos homofóbicos: que "não tenham medo, nada vai lhes acontecer que os prejudique. O que vem por aí é mais amor, mais liberdade. Isso é muito positivo".

A lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo provocou um dos maiores debates já ocorridos na Argentina, mobilizando igrejas e organizações religiosas, políticos e entidades de defesa dos direitos humanos, que usaram a televisão, o rádio, os jornais, as revistas e a internet para manifestar seus pontos de vista. No dia 14 de julho, um dia antes da votação da lei no Congresso, 60 mil pessoas se reuniram diante do prédio do Legislativo para mostrarem aos senadores sua posição contrária ao casamento gay.

No dia seguinte, outra manifestação, desta vez convocada pelas entidades de apoio aos direitos homossexuais, ocupou o mesmo espaço para reunir milhares de pessoas favoráveis à lei. O debate político e a votação duraram mais de 14 horas. Ela foi aprovada por 33 votos a favor, 27 contra e 3 abstenções e foi sancionada no último dia 21 pela presidente Cristina Kirchner.

Em seu pronunciamento, na ocasião a presidente disse que "esta não é exclusivamente uma lei, mas uma Constituição social, que pertence aos que construíram uma sociedade diversa, formada por todas as classes e credos". Com a sanção da presidente, durante cerimônia realizada na Casa Rosada, a Argentina tornou-se o primeiro país da América Latina a legalizar o casamento homossexual.

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