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Disco tributo comprova prestígio de Caetano Veloso

por guibryan1 publicado 14/09/2012 11h48

Participantes de tributo a Caetano Veloso formam time de primeira da música brasileira e internacional (©reprodução)

Em 7 de agosto, o cantor e compositor baiano Caetano Veloso completou 70 anos. Para homenageá-lo, grandes nomes da música brasileira e também internacional se reuniram para realizar o CD "A Tribute to Caetano Veloso", produzido por Paul Ralphes, o músico e produtor galês que reside no Brasil, já tendo trabalhado com nomes como Kid Abelha e Skank. Num mundo globalizado, marcado pelo multiculturalismo, é interessante observar que as faixas foram gravadas em estúdios de diferentes países e que, ao mesmo tempo, boa parte delas possui mais de três décadas.

O álbum começa com a ótima interpretação do grupo inglês The Magic Numbers para "You don’t know me", do álbum "Transa", de 1972. Em seguida, aparece talvez a melhor gravação, eletrônica, do tributo, "Eclipse Oculto", do disco "Uns", de 1983, com Céu. Os Mutantes aparecem com uma versão cool de "London London", do trabalho homônimo, lançado durante o exílio londrino, em 1971. Essa nova gravação é marcada por Sérgio Dias tocando cítara. O cantor e multi-instrumentista norte-americano Beck apresenta uma nova roupagem para "Michelangelo Antonioni", lançada em 2000, em "Noites do Norte".

O cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler demonstra porque é considerado um intérprete de grande talento, na sempre incrível "Fora da Ordem", lançada no álbum "Circuladô", de 1991. Um dos primeiros sucessos de Caetano Veloso, "É de Manhã", lançado por Maria Bethânia, num compacto de 1965, aparece na doce interpretação de Marcelo Camelo. O parceiro dele no Los Hermanos, Rodrigo Amarante, faz um dueto com o cantor e compositor norte-americano Devendra Banhart, em "Quem me dera", gravada originalmente por Maria Bethânia em 1967, e agora com direito a encerramento com pout-pourri de vários sucessos gravados pelo cantor septuagenário.

Outra ótima gravação é a do cantor e compositor carioca Moma (nome artístico de Marcelo Frota, antigo integrante do Fino Coletivo), para "Alguém cantando", saída do disco "Bicho", de 1977, e que aparece aqui com uma irresistível roupagem psicodélica. E a cantora Luísa Maita demonstra toda sua sensualidade na contagiante "Trilhos urbanos", do célebre álbum "Cinema Transcendental", de 1979. Igualmente sensual é Tulipa Ruiz, em "Da maior importância", gravada originalmente por Gal Costa no disco "Índia", de 1973. E a fadista portuguesa Ana Moura encanta com "Janelas abertas nº2", também lançada por Maria Bethânia.

"A Tribute To Caetano Veloso" também propicia duas importantes e inesperadas reuniões. A vocalista dos Pretenders, Chrissie Hynde, que morou por alguns anos no centro de São Paulo, se junta ao filho de Caetano, Moreno Veloso, e também aos parceiros deste, Kassin e Domenico, para cantar "The empty boat", lançada no álbum "Caetano Veloso", de 1969. Já Seu Jorge aparece ao lado do mineiro Toninho Horta e de Arismar do Espírito Santo, em "Peter Gast", do mesmo disco "Uns", de 1983.

O disco ainda conta com uma versão avassaladora de "Força Estranha", composta por Caetano Veloso em homenagem a Roberto Carlos, e aqui interpretada em espanhol pelo cantor de flamenco Miguel Poveda. Para encerrar, o intérprete carioca de sambas enredo Quinho manda ver na energia de "Qualquer coisa", do disco homônimo de 1975; e a paulistana Mariana Aydar confirma ser um dos grandes nomes da nova música popular brasileira, na experimental "Araçá Azul", do disco de mesmo nome, lançado em 1973.

Muito mais do que uma simples homenagem ao cantor e compositor baiano, um dos mais importantes nomes da música universal, "A Tribute To Caetano Veloso" confirma como as canções criadas por ele são extremamente atuais e propiciam ousados e inspirados exercícios por parte de artistas das mais diferentes partes do mundo. Que venham muitos outros tributos como este aos outros septuagenários da música brasileira.

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