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Nos governos do mundo, ‘que se busquem as mulheres’… Menos no Brasil

Ou, como se diz comumente na França, 'cherchez les femmes'. Mas o governo provisório de Temer, além de manter e reforçar a imagem de misoginia, continua seu rosário de gafes de projeção internacional
Publicado por Flávio Aguiar, para a RBA
10:41
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CC / Policy Exchange
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Theresa May sai na frente na disputa para a sucessão de David Cameron, que anunciou sua renúncia após a saída do Reino Unido da UE

O primeiro vexame internacional do governo Temer e dos golpistas – e não foi o último – foi aquela foto com os homens de preto (lembra episódios de ufologia nos Estados Unidos, filmes, e uma música do folclore gaúcho, do maestro Roca Sales).

Episódios como, no momento, as consequências do voto pelo “Brexit” no Reino Unido, ressaltam a importância da participação das mulheres na cena política internacional. Não se trata apenas de fazer justiça a seu número e qualidade de desempenho, o que é fundamental, mas também de garantir a credibilidade dos próprios governos, como ressaltou o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, ao justificar a presença de 50% de mulheres em seu ministério. De passagem: no dia 4 pp. Trudeau compareceu à parada LGBT na cidade de Toronto, primeira vez que um chefe de governo em exercício, naquele país, faz tal gesto.

O “Brexit” provocou uma devastação de renúncias e contestações na política britânica. No Partido Conservador o líder e primeiro-ministro David Cameron anunciou sua renúncia. A disputa pela sucessão começou oficialmente nesta semana. Theresa May, atual ministra do Interior, saiu na frente, com o apoio de 165 deputados do partido. Sua principal oponente também é uma mulher, Andrea Landsam, atual ministra de Energia e Mudança Climática, que obteve 66 votos. Michael Glove ficou em terceiro, com 48 votos. Dois outros contendores, Stephen Crabb (34 votos) e Liam Fox (16) saíram da disputa, mas disseram que vão apoiar May.

Do lado trabalhista, há uma queda de braço entre o atual líder, Jeremy Corbyn, do setor mais à esquerda, e a maioria dos deputados do Parlamento, que não o apoiam. Há tentativas de chegar a um acordo, porque Corbyn diz que não renuncia, já que teve o apoio da maioria dos militantes do Labour. Sua possível adversária, que ainda não anunciou se vai mesmo para a disputa, é a deputada Angela Eagle, que compunha o seu “shadow cabinet” e se desligou.

Outra mulher em evidência devido ao “Brexit” é a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, que anunciou a disposição de fazer novo plebiscito sobre a saída desta do Reino Unido, e agora está entrando em negociações com a União Europeia sobre o que fazer.

Na ilha vizinha, a Irlanda do Norte também tem uma mulher como chefe de governo, Arlene Foster. Cresce o movimento de saída do Reino Unido e união com a Irlanda, mas parece que Foster não tem entusiasmo pela ideia.

Se atravessarmos o Atlântico, deparamos com Hillary Clinton, prestes a se tornar a primeira candidata do Partido Democrata à presidência, e possivelmente, a primeira presidenta. Pode ter como vice outra a mulher, a senadora Elizabeth Warren, de Massachussets, que tem a simpatia de setores mais à esquerda.

E há muitos outros casos pelo mundo afora.

Enquanto isto o governo provisório brasileiro, além da imagem de misoginia, só rivalizada pela de Donald Trump, continua seu rosário de gafes. A última foi a tentativa do ministro José Serra no sentido de impedir que a Venezuela assumisse a presidência do Mercosul, com o também fiasquento ex-presidente FHC a tiracolo. Levou um sonoro não do presidente uruguaio Tabaré Vazquez, que exercia o cargo, tão sonoro quanto o que ouviu da polícia parisiense ao pedir que uma manifestação anti-golpe fosse retirada do caminho por onde passaria.

PS – Informes desta quinta-feira (7) dizem que, apesar da inclinação do presidente Tabaré Vázquez por passar o cargo ao seu colega venezuelano Nicolás Maduro, o golpe do chanceler Serra tem o apoio do governo paraguaio e a simpatia do governo Macri, da Argentina. A passagem da presidência do Mercosul seria adiada. A decisão final será esboçada a partir de uma reunião do bloco na próxima segunda-feira (11). Portanto, a extensão do golpe brasileiro ao Mercosul ainda pode dar certo.