CO2

Terras indígenas da Amazônia ajudam a regular o clima e reduzem aquecimento global

Estudo publicado em revista da Academia de Ciências ressalta importância de conter desmatamento da floresta, intensificado a partir do governo Bolsonaro

Patrick Makarem/Ibama/Divulgação
De toda a biomassa estimada para região amazônica, ao todo são 73 bilhões de toneladas de carbono, 41,1 bilhões de toneladas de carbono, o que representa 58%, encontram-se dentro de Territórios Indígenas e áreas protegidas

São Paulo – Estudo publicado pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), na última segunda-feira (27), mostra que os territórios indígenas preservados são responsáveis pela manutenção dos estoques de carbono na Amazônia, ou seja, os guardiões das florestas ajudam a regular o clima e reduzir a intensidade do aquecimento climático do planeta.

Segundo os dados, apenas 10% de todas as emissões de CO2 na floresta são provocadas pelos povos nativos. Os cientistas que assinam o estudo também reafirmam que é importante fortalecer e preservar áreas sob a administração de povos indígenas, principalmente da Amazônia.

Wagner Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), diz que o estudo só comprova algo que os pesquisadores brasileiros já tinham intuição. Para ele, o estoque de carbono nessas áreas é apenas um dos serviços ambientais que essas comunidades prestam.

O especialista alerta que o estudo aponta um aumento da emissão de gases de efeito estufa nas áreas não-protegidas na Amazônia. “Há manchas de expansão do desmatamento em direção a região oeste do Brasil. O bioma da Amazônia está ameaçado a partir de dentro, há um estimulo à degradação ambiental nas terras indígenas, através da retórica do governo Bolsonaro“, critica Wagner, em entrevista aos jornalistas Glauco Faria e Nahama Nunes, da Rádio Brasil Atual.

Os pesquisadores pedem que as lideranças indígenas assumam o debate sobre as mudanças climáticas. Eles chamam a atenção para a cada vez mais vulnerável situação da Amazônia, muitas vezes negligenciada, e para a tendência ao enfraquecimento da proteção ambiental e dos direitos indígenas. “É de fato uma bandeira a ser levantada, dando voz para quem quer o território preservado. O Ocidente não percebe que acabar com esse estilo de vida pode ter implicações seríssimas, graças ao capitalismo predatório”, alerta Wagner.

A negligência do governo brasileiro traz problemas para parcerias internacionais. A Alemanha, por exemplo, descartou a liberação da verba para a Amazônia suspensa em agosto. A negativa do governo em Berlim foi divulgada, no último sábado (250, depois de o vice-presidente Hamilton Mourão admitir aceitar dinheiro de países ricos para a preservação da região. “Isso pode trazer uma dificuldade para uma maior cooperação internacional. O Mourão disse que precisa de dinheiro para proteger a Amazônia, mas a Alemanha disse que não é possível ajudar um governo que não faz a lição de casa”, lamentou o professor da USP.

Ouça a entrevista: