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Crime de Brumadinho completa um mês, e 134 ainda estão desaparecidos

Familiares amigos de vítimas fazem manifestação e cobram respostas das autoridades e da mineradora
Publicado por Redação RBA
14:54
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MÍDIA NINJA
Brumadinho

Pela estimativa do Corpo de Bombeiros, os trabalhos deverão se estender por três a quatro meses após o rompimento

São Paulo – O crime ambiental cometido pela Vale, após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), completa um mês nesta segunda-feira (25). Ao logo das quatro semanas, os trabalhos de buscas ainda tentam localizar 134 desaparecidos. O número de mortos chega a 176 pessoas.

A barragem, localizada a 57 quilômetros de Belo Horizonte, rompeu-se por volta das 12h20 do dia 25 de janeiro. Sobreviventes relatam que um mar de lama tomou conta de estradas, do rio, do povoado e, sobretudo, da área da Vale, empresa responsável pela barragem. 

Nesta segunda-feira (25), milhares de pessoas, entre elas familiares e amigos das vítimas, realizaram um ato público na cidade de Brumadinho. Com roupas brancas, os manifestantes caminharam pela ponte que corta o Rio Paraopeba, no centro da cidade. Em memória, solidariedade, vigília e protesto, dezenas de atos foram convocados por todo o país, hoje, para cobrar respostas das autoridades e da mineradora nesta segunda-feira.

Pela estimativa do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, os trabalhos deverão se estender por três a quatro meses após o rompimento.

Também nesta segunda, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também publicou um estudo sobre o crime. O dossiê tem por objetivo fazer a denúncia do episódio sob a ótica dos trabalhadores.

O documento apresenta os danos causados pelo crime ambiental, o histórico de problemas da Vale após sua privatização, além de traçar um paralelo sobre as vítimas em Brumadinho com as de Mariana, que sofreu com o rompimento da barragem de Fundão em 2016.

Consequências

Os rejeitos atingiram o Rio Paraopeba. Em nota, as secretarias de Saúde, Meio Ambiente e Agricultura de Minas Gerais decretaram a proibição do uso da água do rio, contaminado pela lama tóxica. Não há estimativa de suspensão da medida.

A decisão é preventiva, por conta  do alto risco de contaminação da população que vive desde a confluência do Rio Paraopeba com o Córrego Ferro-Carvão até o município de Pompéu (MG), a 205 quilômetros da barragem.

De acordo com Tiago Felix, biólogo e educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica, o Rio Paraopeba, impactado pelo rompimento de barragem em Brumadinho, da mineradora Vale, irá demorar “muito mais” de 100 anos para ser restaurado.

A onda de lama de rejeitos da barragem da Vale percorreu, até o dia 21, 147 quilômetros do leito do Paraopeba em direção ao Rio São Francisco, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pela Agência Nacional de Águas (ANA). A preocupação do Ministério do Desenvolvimento Regional é que as chuvas acelerem a chegada da pluma de lama à represa de Retiro Baixo e que os rejeitos contaminem o São Francisco, que fica a mais 153 quilômetros de distância.

MÍDIA NINJABrumadinho
Decisão da Justiça obriga Vale a pagar uma indenização em dinheiro a cada um dos moradores da cidade durante um ano

Indenização

Um acordo da mineradora Vale com os atingidos de Brumadinho foi assinado na última quarta-feira (20). A decisão obriga a empresa a pagar uma indenização financeira a cada um dos moradores da cidade durante um ano, em decorrência do rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão.

Assinado na 6ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, o acordo dá garantias aos atingidos. A Vale vai indenizar todos os moradores de Brumadinho pelos próximos 12 meses, com um salário mínimo mensal (R$ 998) para cada adulto, meio salário mínimo (R$ 499) para cada adolescente e um quarto de salário (R$ 249,50) para cada criança.

O acordo ainda prevê a indenização para “as comunidades que estiverem até a um quilômetro do leito do rio Paraopeba desde Brumadinho e demais municípios na calha do rio até a cidade de Pompéu, na represa de Retiro Baixo”.

Responsabilidades da Vale

A mineradora Vale já sabia, desde outubro de 2018, que a barragem de Brumadinho e outras nove estruturas em Minas Gerais estavam enquadradas em uma categoria de alerta. A informação é de um documento da própria empresa sobre a situação dos reservatórios, que a Justiça tornou público, no último dia 12.

Os dados foram obtidos pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), que moveu ação contra a mineradora. A empresa diz que as informações são “probabilidades” e não houve nenhuma detecção prévia de falha nos monitoramentos. Mais de 150 mortes poderiam ter sido evitadas, apontam cálculos do documento.

O relatório de Gestão de Riscos Geotécnicos de 2018 está apensado em um processo judicial de 297 páginas que determinou a paralisação parcial e temporária de atividades em oito barragens da Vale por supostos riscos de rompimento em Minas Gerais.

Após a publicação do documento, deputados e senadores protocolaram, no dia 13, um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso do rompimento. 

O militante Thiago Alves, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), disse ao Brasil de Fato que a expectativa popular em torno do colegiado é não só de investigação do rompimento da barragem em Brumadinho, mas também de atendimento às diferentes demandas já apresentadas pela população que ainda não foram parcial ou integralmente atendidas pela Vale.

*Com informações do Brasil de Fato, Agência Brasil e El País

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