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Movimento continua

Caminhoneiros deixam as estradas e vão a Brasília pressionar o governo

Segundo autônomo, liderança da categoria que negociou com governo “não soube se expressar”. Ele diz que extremistas tentaram usar a situação, mas a maioria dos trabalhadores repele militares
por Redação RBA publicado 31/05/2018 13h32
Segundo autônomo, liderança da categoria que negociou com governo “não soube se expressar”. Ele diz que extremistas tentaram usar a situação, mas a maioria dos trabalhadores repele militares
RS Norte
Parada de caminhões

Em muitas pequenas cidades à margem de estradas a presença dos caminhoneiros é a principal atividade econIomica

São Paulo – “Os caminhoneiros autônomos estão chegando em Brasília. Não sei porque a mídia não está divulgando, mas já temos cerca de 300 caminhões chegando lá”. A informação é do motorista autônomo Moisés Oliveira. O movimento agora sai das estradas e vai para a capital federal.

Segundo o profissional, a liderança da categoria que esteve negociando com o governo “não soube se expressar” em relação às reivindicações do setor. Para Moisés, o fato de a movimentação dos caminhoneiros envolver muitos grupos diferentes dificulta a identificação de uma liderança em seu segmento e proporciona a ação de aproveitadores tentando impingir um caráter diferente dos reais objetivos da categoria.

“Depois da greve, muita gente começou a tirar proveito, porque sabe que a nossa classe não tem um discurso de direita ou de esquerda. A nossa classe é de chegar lá e fazer, não quer envolvimento político. A gente está levantando líderes para tentar conversar como governo de maneira mais adequada”, diz o caminhoneiro em entrevista a Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.

Segundo Moisés, a categoria dos autônomos é unida, porém tem dificuldade de articulação em função das distâncias e da logística. “Cada um está cada hora em um lugar, então fica difícil”, admite. Ele criticou ainda o assédio por parte de “gente de extrema direita” tentando emplacar o discurso da intervenção militar aproveitando-se da falta de informação de boa parte de seus companheiros. Nesse aspecto, diz o motorista, é que faltou a presença de movimentos sociais e esquerda, para fazer esse contraponto ante a desinformação.

Mas depois de 11 dias de paralisações e polêmica, o caminhoneiro considera que hoje a maioria não concorda com intervenção e tem até “raiva” do assunto. “Nosso desafio agora é estabelecer uma liderança com capacidade de negociar suas reivindicações.”

Nesta entrevista, Moisés fala também do dia a dia dos profissionais, os sofrimentos e dificuldades da vida de caminhoneiro. Descreve as diferenças de jornada e condições de trabalho em relação aos empregados celetistas de transportadoras. Menciona os perigos da estrada e a importância do trabalho para as economias locais. “Tem muitas cidades (no trajeto dos grandes percursos) que vivem da presença do caminhoneiro.”

Ouça a entrevista