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Operários de Jirau aguardam retorno ao trabalho

Conflito ocorrido na madrugada de ontem (3) destruiu 30% dos alojamentos em obra da usina. Para o ministro Gilberto Carvalho, ações de vandalismo não têm a ver com atuação sindical
por Redação da RBA publicado , última modificação 04/04/2012 18h17
Conflito ocorrido na madrugada de ontem (3) destruiu 30% dos alojamentos em obra da usina. Para o ministro Gilberto Carvalho, ações de vandalismo não têm a ver com atuação sindical

São Paulo – Os operários da construtora Camargo Corrêa que trabalham na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), aguardam autorização do Ministério do Trabalho e Emprego para voltar às atividades, segundo informou hoje (4) o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de Rondônia. Na madrugada de ontem (3), um grupo incendiou os alojamentos forçando os operários a buscarem abrigos alternativos em Rondônia. De acordo com os sindicalistas, o conflito é causado por pessoas infiltradas na mobilização, inconformadas com o fim da greve.

A entidade afirma que 4 mil trabalhadores aguardam o retorno ao trabalho após ficarem desalojados. Do total de 7 mil funcionários, apenas 200 pediram formalmente para ser desligados da empresa. Com o ocorrido, a Força Nacional de Segurança Pública foi enviada ao local para fazer a segurança da região. Onze homens foram presos ontem por conta do incidente. Eles decidiram na segunda-feira (2) encerrar a greve que durou 26 dias.

Pela manhã, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, descartou que a ação ocorrida nos alojamentos tenha a ver com sindicatos. Segundo ele, os atos foram de "banditismo e "vandalismo", e assim será tratada pelo governo. "Isso não é ação de trabalhador, não é ação sindical e tem de ser tratada em outros termos, da questão judiciária e policial", disse. Segundo ele, agora é preciso identificar de onde está partindo o movimento que vem criando conflitos.

A Camargo Corrêa disponibilizou um serviço para prestar esclarecimentos aos funcionários e familiares no número 0800-7010170, com atendimento de segunda a sexta. Segundo nota da construtora, os prejuízos materiais do incêndio ainda não podem ser contabilizados.

Impactos ambientais e sociais

A violação dos direitos humanos e os impactos sociais e ambientais acarretados pela construção das usinas hidrelétricas do Rio Madeira – Jirau e Santo Antônio – foram denunciados na última sexta-feira (30), em reunião na Espanha com acionistas do Santander pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O banco espanhol financia as construções. Os militantes do movimento falaram aos empresários sobre os impactos causados com a obra, como a destruição do Rio Madeira, de vital importância para a pesca e atividades dos povos ribeirinhos e indígenas.

Belo Monte

Um grupo de manifestantes formou um cordão na saída de Altamira (PA) para a Rodovia Transamazônica, no acesso à obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), para dificultar a entrada dos trabalhadores nos cinco canteiros, De acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada (Fenatracop), Wilmar Gomes dos Santos, o grupo responsável pelo protesto não tem representatividade na base de 7 mil pessoas. “Fomos surpreendidos. É um movimento alheio aos trabalhadores”, disse.

Segundo o Movimento Xingu Vivo Para Sempre, o Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) preparou a lista de empregados que serão demitidos por conta do movimento grevista, iniciado há seis dias em protesto contra a morte de um trabalhador e por melhores condições de trabalho. A assessoria do consórcio nega que haja intenção de desligamentos.

Com informações da Agência Brasil