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Presidente do TST apoia projeto dos metalúrgicos do ABC sobre negociação coletiva

João Oreste Dalazen viu nos comitês sindicais de empresa o futuro das relações sindicais
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado , última modificação 08/02/2012 16h39
João Oreste Dalazen viu nos comitês sindicais de empresa o futuro das relações sindicais

Nobre, Dalazen, o secretário-geral do tribunal, Rubens Curado, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, conversaram sobre um novo padrão de acordos coletivos (Foto: Rossana Lana/SMABC)

São Bernardo do Campo (SP) – O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, conheceu nesta sexta-feira (3) o modelo de negociação coletiva proposto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e viu nos comitês sindicais de empresa (CSEs) "o futuro das relações sindicais", pela sua proximidade com o local de trabalho. Segundo ele, no chamado "chão de fábrica" é que se dá o primeiro contato entre o operário e o chefe – e também a primeira divergência.

Dalazen visitou a sede do sindicato e sua representação na fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo. O juiz fez sua primeira visita a um sindicato de trabalhadores na condição de presidente do TST. Sobre a visita à Mercedes, comentou ter visto ali "um cultivo sério e responsável de relações trabalhistas muito proveitosas entre o capital e o trabalho".

Para o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, o apoio do presidente do TST será "fundamental" para a tramitação do projeto sobre o tema no Congresso Nacional. O Acordo Coletivo Especial (ACE), na visão dos metalúrgicos, vai estimular a negociação coletiva. "O projeto institucionaliza o modelo que a gente construiu há 30 anos", disse Nobre. "O Brasil tem milhares de processos na Justiça do Trabalho justamente porque não há negociação", acrescentou.

O sindicato também assinou protocolo de adesão ao programa nacional de combate aos acidentes de trabalho promovido pelo TST. "É uma campanha muito bem-vinda", afirmou Nobre. Ele também defendeu mudanças na legislação que trata do funcionamento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas). "O modelo não funciona", afirmou o dirigente, para quem em grande parte dos casos as empresas conseguem eleger pessoas de sua confiança.

O presidente do TST lembrou que as estatísticas oficiais mostram dados "estarrecedores" sobre acidentes, que em 2010 – último dado disponível – resultaram na morte de quase 2.500 trabalhadores. "São 28 pessoas inválidas por dia, sete mortes por dia", afirmou Dalazen, lembrando que o dado oficial, parcial, reflete apenas uma "pálida imagem" da realidade. Em reunião realizada em Brasília na quinta (2), ele pediu aos presidentes dos TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho) prioridade para casos de acidentes.

Após a visita à fábrica da Mercedes, ele seguiu para São Paulo, até a sede da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que também assinaria o protocolo. O juiz também participará de um ato (em data a ser definida) nas obras do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, para divulgar o programa no setor de construção civil, que concentra grande número de acidentes.