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Reconstrução

Mobilização em Curitiba discute estratégias do plano de governo de Lula

Em mesa de debates, as reformas tributária e política e a regulamentação da mídia destacam-se entre os principais temas. Pela manhã, atriz Lucélia Santos reforçou o 'Bom dia, Lula'
por Redação RBA publicado 03/05/2018 19h59, última modificação 03/05/2018 20h06
Em mesa de debates, as reformas tributária e política e a regulamentação da mídia destacam-se entre os principais temas. Pela manhã, atriz Lucélia Santos reforçou o 'Bom dia, Lula'
Gibran Mendes
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'Se a eleição fosse hoje Lula ganharia no primeiro turno. É isso que não querem', disse Lucélia Santos, que esteve na vigília Lula Livre

São Paulo – Estratégias para a retomada do emprego, da estabilidade política e econômica, com a revogação das medidas autoritárias do governo de Michel Temer, são pontos que compõem o Plano Lula de Governo, apresentados na mesa de diálogos nacionais com a Frente Brasil Popular, realizada na tarde de hoje (3), na Praça Olga Benário, em Curitiba, como parte da programação da vigília Lula Livre.

Definido a partir da plataforma O Brasil que o Povo Quer, e com participação de mais de 300 acadêmicos, o plano contempla o sistema internacional, soberania e defesa nacional; participação popular, liberdade, direitos e diversidade; redução da desigualdade e garantia da inclusão social e desenvolvimento econômico e sustentabilidade, entre outros. Está sendo discutido um calendário de atividades que mantenham o constante diálogo com a população.

Cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral defendeu a redemocratização do Estado brasileiro como o caminho para o enfrentamento do desemprego e de reversão de medidas autoritárias, sem participação popular, tomadas pelo governo de Michel Temer. Entre elas, a venda de poços do pré-sal para empresas estrangeiras, a reforma trabalhista e processos de privatização. “É fundamental impedir a privatização da Eletrobras; precisamos de infraestrutura, sem a qual não teremos emprego”, disse Amaral.

Ele enfatizou ainda a importância da criação de uma frente ampla, formada por setores progressistas, para assegurar a realização de eleições democráticas e livres, com a participação de Lula, e que possibilite a formação de maioria progressista no Congresso. “Vamos fazer um mutirão para eleger um congresso que possa aprovar nossas reformas”, disse, referindo-se a reformas importantes que não foram levadas adiantes pelos governos do PT, como a reforma política, para maior participação popular, e a regulamentação dos meios de comunicação.

Joka Madruga mesa de debates plano de governo lula
Mesa de diálogos discutiu estratégias para retomada da democracia e da estabilidade econômica

O destaque dos pontos do plano de governo ficou por conta do secretário-adjunto de Relações Internacionais da CUT, Ariovaldo de Camargo. “Temos de criar condições para realização de referendo popular para revogar as reformas de Temer, que entre outras coisas engessa por 20 anos os investimentos em áreas prioritárias. Temos de recuperar perdas, como o financiamento da educação por meio de royalties do petróleo e fazer a reforma fiscal e tributária, com a taxação sobre as grandes fortunas. Não podemos continuar permitindo que os latifundiários continuem sem pagar pela terra de onde tiram lucros e que não paguem impostos sobre os lucros”, defendeu.

A mesa contou ainda com a presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, também professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que destacou índices de desemprego – o país tem mais de 13 milhões de desempregados –, e com Maria Lúcia da Silva, integrante da Marcha Mundial de Mulheres, que chamou a atenção para o fato de as mulheres serem as mais prejudicadas pela crise. “As mulheres ganham 30% a menos que os homens na mesma função. Se a situação de famílias chefiadas por mulheres já é difícil, pior ainda quando a mulher é negra”, destacou.

Primeiro turno

O já tradicional “bom dia, Lula”, que diariamente abre a programação da vigília Lula Livre, contou com a participação da atriz Lucélia Santos, que está na cidade desde o 1º de Maio, quando participou dos atos. “Se a eleição fosse hoje Lula ganharia no primeiro turno. É isso que não querem e é isso que a gente tem que denunciar”, disse.

“A impressão que eu tenho é que vocês estão fortes. A organização é impecável, o amor que as pessoas transmitem, isso nos dá uma esperança. Agora, é pesado. Eu não estou pulando de alegria. Desde que cheguei aqui fiquei muito tensa”, afirmou.