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Em apoio à UNB, universidades públicas oferecem cursos sobre o golpe de 2016

Em defesa da Universidade de Brasília, que vai ministrar a matéria 'O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil', ao menos 10 instituições ofertarão conteúdo semelhante
por Redação RBA publicado 27/02/2018 16h41, última modificação 27/02/2018 19h36
Em defesa da Universidade de Brasília, que vai ministrar a matéria 'O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil', ao menos 10 instituições ofertarão conteúdo semelhante
latuff/sul21

Fragilidade da democracia brasileira e o golpe de 2016 serão tema de diferentes disciplinas nas universidades públicas

São Paulo – Ao menos 10 universidades públicas possuem interesse em ministrar cursos sobre o golpe de 2016, que destituiu a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) sem haver crime de responsabilidade, deixando o vice, Michel Temer (MDB), em seu lugar no Palácio do Planalto. A pioneira foi a Universidade de Brasília (UnB). A tentativa de censura por parte do ministro da Educação, Mendonça Filho, fez a comunidade acadêmica se mobilizar em apoio à instituição da capital federal.

O Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi o primeiro que saiu em defesa da UnB. A instituição, em nota, afirmou “irrestrita solidariedade ao professor e pesquisador Luís Felipe Miguel, da UnB, que ministrará neste semestre a disciplina ‘O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil’”. A universidade no interior de São Paulo oferecerá a mesma matéria para os alunos interessados.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) ministrará uma disciplina similar, com outro nome "Golpes de Estado, autoritarismo e repressão no Brasil republicano”. “Vivemos sob tempos sombrios. O avanço das forças conservadoras sobre o conjunto de direitos que haviam sido conquistados pelos trabalhadores se faz constante”, afirmou, ao portal Manaus de Fato, o professor do Departamento de História da Ufam César Augusto Bulbolz.

Tentativas de cerceamento das atividades artísticas e acadêmicas estão virando rotina. A exposição cancelada no Santander, a performance no MAM, os protestos contra a visita de Judith Butler e, agora, a ameaça do Ministério da Educação (MEC) de proibição da disciplina ofertada demonstram que a democracia está em risco e que devemos reagir de forma enérgica contra essas constantes tentativas de censura e aos ataques à autonomia intelectual e às artes”, completou.

Já a Universidade Federal da Bahia (UFBA) oferecerá a disciplina “Tópicos Especiais em História: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”. A iniciativa partiu de mais de 20 professores de diferentes disciplinas das áreas de humanidades. A responsabilidade por ministrar a matéria será do Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH). Além dos alunos, a disciplina estará aberta para o público geral cursá-la como ouvinte.

Outra universidade que saiu em defesa da UnB e deve ministrar uma disciplina similar foi a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). “Ministro de Estado não deve ocupar o cargo para derrubar a autonomia universitária”, criticou o professor Agassiz Almeida, da UEPB, em entrevista ao portal ParlamentoPB.

Enquanto mais universidades saem em defesa da liberdade de cátedra e da autonomia universitária, os estudantes aguardam para cursar as disciplinas sobre o golpe de 2016. Na UnB, já existe lista de espera para a matéria.

Também demonstraram interesse em ministrar matéria similar, até o momento, as seguintes instituições: Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).