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Com atividade doméstica mais intensa, Copom quer 'neutralizar' risco de inflação

Para dois dos oito membros do comitê, novo panorama global poderia ter impacto favorável sobre os preços, mas maioria preferiu elevar a taxa básica; ata voltou a falar sobre 'risco' de aumentos salariais
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 25/04/2013 10h04, última modificação 25/04/2013 10h36
Para dois dos oito membros do comitê, novo panorama global poderia ter impacto favorável sobre os preços, mas maioria preferiu elevar a taxa básica; ata voltou a falar sobre 'risco' de aumentos salariais

São Paulo – A ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje (25) pelo Banco Central, revela avaliação divergente sobre uma ação imediata de política monetária (leia-se alta de juros), embora todos concordem com a necessidade de medidas para "neutralizar riscos" em relação à inflação, "notadamente para o próximo ano". 

Para a parcela do comitê contrária a essa ação imediata, está em andamento uma reavaliação do crescimento global, que poderia ter efeitos favoráveis sobre os preços domésticos. Mas não foi essa a visão da maioria: foram seis votos pela alta de 0,25 ponto percentual, para 7,5% ao ano, e dois pela manutenção da taxa em 7,25% – o presidente do BC, Alexandre Tombini, votou pela elevação. Os 7,25% representavam o menor nível histórico da Selic.

Na avaliação do Copom, o nível elevado e a dispersão de aumentos de preços contribuem para maior resistência da inflação. Por outro lado, "incertezas internas e, principalmente, externas" recomendam "cautela" na política monetária.

Como em atas anteriores, o comitê manifesta preocupação com o "risco" salarial, ao observar que o cenário contempla atividade doméstica mais intensa neste e no próximo ano. Nesse contexto, acrescenta, o Copom fala em "estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho", apesar de sinais de moderação, "e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação".

Para os membros do Copom, o consumo das famílias tende a se manter forte "em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito". É uma situação que tende a prevalecer neste semestre e nos próximos, sob impacto de medidas adotadas recentemente pelo governo. A ata revela mais otimismo quanto ao desempenho da indústria, ao afirmar que, além das medidas de estímulo, "os programas de concessão de serviços públicos, os estoques em níveis ajustados e a gradual recuperação da confiança dos empresários criam perspectivas de intensificação dos investimentos e da recuperação da produção industrial".

Foi mantida a projeção de 5% no preço da gasolina este ano. O Copom espera ainda estabilidade no preço do gás de botijão e recuo de 2% na tarifa da telefonia fixa e de aproximadamente 15% na tarifa elétrica residencial. A projeção da inflação para 2013 diminuiu, mas permaneceu acima do centro da meta (4,5%), enquanto para o ano que vem a previsão aumentou.