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Desemprego recua, e mercado de trabalho se sustenta mesmo com a crise

por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 20/12/2012 13h49, última modificação 20/12/2012 14h26

São Paulo – A taxa média de desemprego calculada em seis regiões metropolitanas e no Distrito Federal recuou pelo terceiro mês seguido e atingiu 10% em novembro, segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese. Mesmo com resultados menos expressivos este ano, a avaliação é de que o mercado de trabalho se sustentou e mostrou desempenho razoável. A ocupação deve crescer acima do PIB, lembra o coordenador de análise do Seade, Alexandre Loloian.

De outubro para novembro, a população economicamente ativa (PEA) praticamente estagnada e o avanço de 0,7% no nível de ocupação fizeram recuar a taxa de desemprego. Quarenta mil pessoas entraram no mercado (variação de 0,2%), que criou 148 mil vagas (expansão de 0,7%). Isso fez o número de desempregados cair em 107 mil, para uma estimativa de 2,258 milhões.

Na comparação com novembro do ano passado, o nível de ocupação cresceu 2,8%, o correspondente a um acréscimo de 553 mil postos de trabalho. Como 697 mil pessoas entraram no mercado no mesmo período (3,2%), as regiões pesquisadas ficaram com 145 mil desempregados a mais em 12 meses. Em novembro de 2011, a taxa era de 9,7%.

Quem sustentou o crescimento do emprego foi o setor de serviços, lembra Loloian, o que aponta a importância do mercado interno. “Se não houvesse as medidas de incentivo, o desempenho teria sido pior. Porque as incertezas no cenário externo permanecem”, observou.

Das 553 mil vagas abertas em 12 meses, 457 mil foram nos serviços (crescimento de 4,1%) e 132 mil na construção civil, que tem alta de 9%. A indústria de transformação, que abriu 21 mil postos de trabalho em novembro, cai 1,3% na comparação anual (-41 mil). O setor de comércio e reparação de veículos ficou estável, com 5 mil empregos a mais (0,1%).

Menos intensa, a tendência de formalização do mercado se mantém. No mês passado, o emprego com carteira assinada cresceu 1,4% (135 mil). Em 12 meses, a alta é de 4,6% (446 mil).

O rendimento médio dos ocupados, estimado em R$ 1.574, cresceu 1% no mês (nesse caso, de setembro para outubro) e 3,5% em 12 meses.

Na região metropolitana de São Paulo, a taxa também caiu, para 10,3%. Apesar de nos últimos meses as taxas estarem acima de iguais períodos do ano passado, invertendo a trajetória verificada na pesquisa há alguns anos, o coordenador de análise do Seade observa que os resultados continuam sendo equivalentes aos do começo da década de 1990.

A ocupação em 12 meses cresce 2,4%, com 237 mil empregos a mais, enquanto a PEA sobe 3,3% (361 mil), resultando em um acréscimo de 124 mil desempregados, para uma estimativa de 1,158 milhão.  De outubro para novembro, a PEA ficou estável (5 mil) e a ocupação aumentou 0,7% (72 mil), fazendo o número de desempregados recuar em 67 mil.

Os destaques do mês foram a construção, com alta de 9,6% (criação de 66 mil postos de trabalho) e a indústria (0,7%, mais 12 mil). O crescimento da construção civil fez a expansão em 12 meses atingir praticamente o mesmo nível: 9,7%, com acréscimo de 67 mil vagas. A indústria fechou 48 mil vagas (-2,6%), enquanto os serviços abriram 321 mil, alta de 6%. O setor de comércio e reparação de veículos recuou 5,8% (-107 mil).

O emprego formal em São Paulo cresceu 1,3% no mês (mais 68 mil vagas com carteira assinada) e 3,2% em 12 meses (163 mil).

Estimado em R$ 1.746, o rendimento médio dos ocupados sobe 0,7% no mês e 5,2% em 12 meses.